O Canal Brasil apresenta, nesta terça (18) e quarta-feira (19), uma programação dedicada a Jards Macalé (1943-2025), que revisita sua contribuição para a música brasileira e para o cinema. Macalé morreu na segunda-feira (17) aos 82 anos, no Rio de Janeiro. A homenagem ao compositor reúne filmes, registros musicais e entrevistas que evidenciam a versatilidade do artista e seu papel fundamental na cultura do país.

Nesta terça (18), a partir das 22h, o canal exibe uma maratona com títulos que destacam diferentes momentos da carreira de Macalé. Entre eles estão “Jards”, de Eryk Rocha, um retrato íntimo de sua trajetória; “Macalé” e “Macaléia”, que ampliam a compreensão de sua obra e personalidade, também dirigidos por Eryk; e o curta-metragem “Casa 9”, de Luiz Carlos Lacerda, que homenageia uma casa de vila em Botafogo, no Rio de Janeiro, morada de grandes personalidades como o cantor. A noite segue com edições especiais de programas musicais como “Estação Roquenrou”, “TransMissão” e “O Som do Vinil”, que revisitaram processos criativos, bastidores de álbuns e parcerias como a de Macalé com João Donato. A programação encerra com o programa “Arte na Capa”, dedicado à estética visual de seus discos.

Na quarta-feira (19), a partir das 22h, o Canal Brasil exibe longas-metragens que contam com a participação de Macalé no elenco ou na trilha sonora. Entre eles estão “Terra Estrangeira”, clássico dos anos 1990 dirigido por Walter Salles e Daniela Thomas; “O Amuleto de Ogum”, de Nelson Pereira dos Santos, que entrelaça mitologia e realismo; e “Tenda dos Milagres”, adaptação de Jorge Amado também dirigida por Nelson Pereira.

TRAJETÓRIA

Jards Anet da Silva, conhecido como Jards Macalé, nasceu no Rio de Janeiro em 3 de março de 1943 e foi um dos artistas mais singulares da música brasileira, reconhecido pela postura inquieta e pela liberdade estética que marcou sua obra. Carioca, com formação erudita e passagem por estudos com mestres como Guerra-Peixe e Turíbio Santos, construiu uma trajetória que atravessou gêneros — rock, samba, jazz, erudito e tropicalismo. Ganhou projeção nos anos 60 e 70 em parceria com nomes como Torquato Neto, Waly Salomão, Caetano Veloso e Gal Costa, e consolidou sua relevância com canções como “Vapor Barato” e “Movimento dos Barcos”, presentes em seu celebrado álbum de estreia, de 1972.

Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, Macalé atuou como compositor, arranjador, violonista, produtor e ator, assinando trilhas para cinema (“O Amuleto de Ogum”, “Macunaíma”), álbuns e projetos de renovação musical. Em seus últimos anos, manteve um ritmo criativo intenso, lançando “Coração Bifurcado” e recebendo prêmios importantes, como categorias de destaque no Prêmio da Música Brasileira (Lançamento de MPB, em 2024, por “Coração Bifurcado”; e Melhor Canção de MPB, por “Mistérios do Nosso Amor”).

O corpo de Jards Macalé foi sepultado nesta terça-feira (18), às 16h, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro.

* Com assessoria.

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