O orgulho dos pampas na voz de um gaúcho não é novidade. Nas palavras de Erico Verissimo (1905-1975), no entanto, o amor pelo Rio Grande do Sul ganha contornos insólitos, na riqueza de sua descrição e seu olhar poético. Em um de seus últimos depoimentos, em ''Pampas Segundo Erico Verissimo'', de 1975, que o Canal Brasil exibe hoje, às 23h25, o escritor se diz um contador de histórias com algo de pintor frustrado, que, quando escreve, tenta destacar os aspectos plásticos do Rio Grande do Sul. E é belo o quadro que ele aqui pinta.
Com narração de Mário Lago e duração de 45 minutos, a atração alterna imagens do Rio Grande do Sul, cenas do cotidiano e registros da diversificada cultura do Estado com depoimentos de Verissimo. Autor de ''O Tempo e o Vento'', saga de duas famílias nos pampas, Verissimo conduz esse passeio pela geografia, história e cultura de sua terra natal.
Lá estão as planícies e praias, a cultura dos imigrantes italianos e alemães, um pouco da história das Missões, os costumes do churrasco ao chimarrão que dão liga aos gaúchos, descritos como fanfarrões, autoritários e teatrais. Um povo que, segundo Verissimo, é brasileiro por força de vontade, por conta do risco de suas vidas em tantos conflitos pelo domínio dos pampas.
Brasileiro até mesmo pelo samba, quem diria, como defende o cantor e compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues (1914-1974), outro célebre convidado do programa de Verissimo. Os ''castelhanismos'' no português dos pampas também são explicados: são resultado da ''xipofagia urbana'' que o Rio Grande experimenta, estando na fronteira com o Uruguai e a Argentina. A língua, teoriza Verissimo, numa das passagens mais curiosas, guarda estreita relação com a alimentação de um povo. O gaúcho, sustenta ele, fala ''quadrado e claro''. O gaúcho ''morde as palavras com deleite de bom carnívoro''.
Serviço
- Especial ''Pampas Segundo Erico Verissimo'', hoje, às 23h25, no Canal Brasil

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