O Canal Brasil vai reforçar seu incentivo ao cinema nacional. Agora, além de exibir e premiar os filmes brasileiros, a emissora de TV a cabo passa a co-produzir cinema. Essa nova investida é uma parceria do canal com a Riofilme para a produção de curtas-metragens por meio do Prêmio Riofilme/Canal Brasil. Os cinco vencedores vão receber R$ 30 mil cada um para a realização de filmes em película 35 mm com duração máxima de 20 minutos.
A escolha será feita por uma comissão com representantes do canal, da Riofilme e um profissional de cinema. Após a assinatura do contrato, os realizadores terão seis meses para entregar o filme. ‘‘Os direitos de distribuição e exibição serão cedidos ao canal e à Riofilme, no Brasil e no exterior, por um período determinado’’, explica André Saddy, diretor de curtas do Canal Brasil. ‘‘A carreira de cada produção nos festivais de cinema será respeitada porque o Canal Brasil só começará a exibir o filme após um ano de sua finalização’’, completa. E faz questão de ressaltar: ‘‘Os direitos autorais são exclusividade dos realizadores.’’
Em seus dois anos de existência, o Canal Brasil já deu a 24 curtas o Prêmio Aquisição. ‘‘A cada ano, escolhemos curtas nos principais festivais de cinema do País - Gramado, Brasília, Recife e Festival de Curtas de São Paulo - que, além de serem exibidos no canal, ganham R$ 5 mil cada um’’, conta Saddy. Para ele, essa iniciativa já era importante por exibir a produção nacional. ‘‘Além dos festivais, sobra pouco espaço para os curta-metragistas mostrarem seu trabalho’’, diz.
Agora, passando a co-produzir, essa importância cresceu. ‘‘Não vamos interferir no conteúdo; a não ser que o diretor precise de ajuda’’, conta Saddy. Nossa participação será na produção. ‘‘Os R$ 30 mil do prêmio estão divididos parte em verba e parte em utilização de serviços’’, explica Saddy. ‘‘A Kodak vai fornecer negativos e ajudar na revelação e o Labocine participará da finalização’’, completa.
Antes da parceria, a Riofilme já possuía seu programa de seleção de produções. Desde 1995, 27 projetos, entre ficção, documentário e animação, já foram co-produzidos. A Riofilme também possui outros programas de incentivo. ‘‘Atuamos no segmento de co-produção, fornecendo verba, equipamentos e serviços; e no segmento de finalização, em que apenas auxiliamos na montagem, mixagem, etc.’’, conta Luís Fernando Noel, diretor comercial da Riofilme.
O Canal também pretende aumentar seu investimento no cinema nacional. ‘‘Temos planos de começar a co-produzir telefilmes, que seriam captados em película e finalizados em vídeo, no ano que vem’’, conta Saddy. Além disso, o canal dará continuidade aos outros projetos que possui, como o Destino Brasil, um programa sobre turismo que já está no ar. ‘‘Nesse tipo de projeto, uma produtora, ou um realizador, filma o programa ou o projeto, um patrocinador banca a produção e nós entramos com a exibição ’’, conta Saddy. - Para ampliar a parceria e os investimentos, o Canal Brasil e a Riofilme apostam no apoio de mais empresas. ‘‘A Kodak e o Labocine já estão nos ajudando bastante; seria muito bom que outros também participassem’’, diz Noel. Para ele, a grande importância da parceria é a garantia de exibição dos curtas. ‘‘Uma das maiores dificuldades do cinema brasileiro é a exibição; com a parceria do Canal Brasil, podemos escoar nosso produto e ganhar visibilidade’’, diz. ‘‘Afinal, a exibição é garantia de retorno ao patrocinador’’, completa Saddy.
Quem quiser participar deve residir na cidade do Rio de Janeiro e entregar um roteiro na sede da Riofilme (Praça Floriano, 19/14º andar), das 14 às 18 horas. ‘‘Não é preciso que o projeto esteja inscrito em nenhuma lei de incentivo à cultura; basta ser um bom roteiro’’, conta Saddy. As inscrições, gratuitas, já estão abertas e serão encerradas em 17 de novembro. Mais informações podem ser obtidas no site da Riofilme (www.riofilme.com.br) ou pelo telefone (0XX21) 220-7090.