Depois de um ano e meio de atividades temporariamente paralisadas, a Comunidade de Amigos, Trabalhadores e Apoiadores da Rádio (Camtar) – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) criada em 2002 para angariar recursos frente à comunidade e Ministério da Cultura para investimento em projetos da Rádio Universidade FM – volta à ativa com nova diretoria. A nova composição, oficialmente assumida no dia 30 de setembro, tem a musicista Magali Kleber na função de presidente, seguida pelo professor Dílson Catarino (vice-presidente), o juiz aposentado e colaborador da rádio Ricardo Lopes Sampaio (tesoureiro) e a profissional aposentada da área de biomédica Sílvia Ilnicki (secretária). A diretoria anterior tinha como presidente o médico José Luís da Silveira Baldy, que por muitos anos também foi colaborador da rádio.
  A suspensão das atividades da entidade se deu em função de desagrado de vários colaboradores com a extinção da rádio como órgão de apoio da UEL e a sua implantação como uma diretoria subordinada à Coordenadoria de Comunicação Social (COM) da universidade, criada durante a gestão da então reitora Lygia Pupatto. A decisão provocou o afastamento da musicista Janete El Haouli, que há três anos e meio exercia a função de diretora da rádio e motivou o pedido de demissão de integrantes da diretoria da Camtar, além da suspensão de programas por parte de 12 colaboradores da emissora de um total de 30. À época, Janete foi substituída pela professora Maria Irene Pellegrino de Oliveira Souza, vice-diretora do Centro de Educação, Comunicação e Artes (CECA). Na atual gestão, tendo como reitor Wilmar Sachetin Marçal, a direção da rádio está sob responsabilidade da jornalista Cristina Côrtes. O jornalista Pedro Livoratti é o coordenador de comunicação da UEL.
  Segundo Cristina Côrtes a partir do início do próximo ano será feito oficialmente o pedido para que a rádio da UEL volte a ser enquadrada como órgão suplementar, como era quando foi montada. ‘‘O atual reitor já trata a rádio como órgão suplementar e não há uma relacionamento de subordinação. Na prática, já temos mais autonomia’’, garantiu a atual diretora da rádio.
  Animada com o retorno das atividades da Camtar, Cristina acredita que a partir de agora a rádio voltará a ter condições de ampliar suas ações educativas – entre elas o projeto de realizar oficinas de rádio em escolas, em parceria com o Programa Folha Cidadania, da Folha de Londrina. Um projeto-piloto já foi iniciado no Colégio Estadual Antônio Moraes de Barros, no Jardim Bandeirantes (região Oeste de Londrina). ‘‘O objetivo é estreitarmos as relações com iniciativa privada local e regional, pois, pelo retorno dos nossos ouvintes, já podemos nos considerar um pólo-regional de cultura. Além disso, também será possível buscar recursos através de leis de incentivo cultural’’, disse Cristina.
  A musicista Magali Kleber, que neste ano concluiu sua tese de doutorado sobre educação musical, projetos sociais e Ongs, reforçou o potencial da parceria entre a rádio e a iniciativa privada. ‘‘É uma sinergia de grande potencial e hoje em dia, apesar das imagem das Ongs estarem um pouco desgastadas, as empresas já entendem o conceito e sabem os benefícios da responsabilidade social para a sua imagem corporativa. E nada melhor do que investir em propostas educativas, principalmente via meios de comunicação’’, comentou Magali, que fez questão de elogiar a gestão anterior da Camtar por ter preservado a identidade jurídica da entidade. ‘‘Deixo aqui o meu voto de louvor e isso revela um comprometimento muito grande com a proposta de trabalho’’, acrescentou. A primeira gestão da Camtar foi responsável pela captação de recursos que possibilitaram a informatização da rádio e a compra de móveis.

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