Campos reduz preços para salvar temporada
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terça-feira, 25 de julho de 2006
Simone Menocchi<br> Especial para a Agência Estado 
Campos do Jordão, SP - ''A temporada de inverno está fraca, é um ano diferente.'' Ninguém combinou a frase, mas ela foi onipresente em Campos do Jordão na semana passada. A cidade estava tranquila, sem muitos turistas, que têm aparecido basicamente nos fins de semana. Para mudar o quadro, comércio e hotéis estão oferecendo pacotes promocionais.
Junho e julho sempre foram os meses mais concorridos do ano em Campos - no período de inverno, até o ano passado, a cidade costumava receber pelo menos 500 mil pessoas. Mas neste inverno as previsões de hoteleiros e comerciantes não se confirmaram. Durante a semana, os turistas somem e deixam restaurantes vazios, hotéis ociosos, malharias com estoques encalhados e nenhum congestionamento na avenida principal do município, algo característico no inverno.
Taxistas, donos de hotéis, balconistas, garçons e até turistas acostumados com Campos lotado definiram a alta temporada como ''atípica'' até agora. ''Primeiro era o dólar, depois a Copa, o fim da novela. Já não sabemos a quem culpar pelo baixo movimento'', brincou a empresária Elaine Alves Pereira, que há sete anos mantém na cidade três pontos de venda de crepe suíço. ''O que era um longo período, de dois meses, se resumiu a fins de semana.''
A queda do dólar no mês de abril, segundo a própria Secretaria de Turismo, fez muita gente optar por roteiros internacionais. ''Houve uma redução na procura dos turistas de cerca de 10%. As empresas também deixaram de vir pra cá porque investiram demais em outras campanhas publicitárias da Copa'', justificou o secretário de Turismo, Flávio Ventura.
No ano passado, 300 empresas subiram a serra com seus produtos e serviços. Este ano, foram 200. Há 11 anos investindo no turismo em Campos, o empresário e apresentador de TV, João Dória Júnior, também sentiu a mudança, mas está otimista. Ele mantém na cidade um shopping de luxo, o Market Plaza, que este ano tem 79 lojas e recebeu investimentos de R$2,6 milhões. ''Estamos vendendo Mercedes de R$ 350 mil, relógios de R$ 60 mil, então o que percebemos é que reduziu a quantidade, o volume de turistas, mas não o poder aquisitivo de quem vem ao shopping.''
''Ano de Copa é sempre assim, movimento abaixo do esperado'', disse a presidente da Associação de Hotelaria, Elisabete Simabuco, no ramo há 30 anos. Esta é a primeira vez, nos últimos dez anos, que nos dias úteis de julho o valor das diárias nos hotéis e pousadas tem descontos de até 30%. ''Além dos descontos, a gente vai oferecendo DVD no quarto, caldo à noite, um chazinho, tudo para atrair os turistas'', disse o mais recente hoteleiro de Campos, Dino Busnardo.
Há dois meses ele e a mulher, Vivian, inauguraram uma pousada de luxo, a Vilaregio, com 24 apartamentos, na subida para o Morro do Elefante. ''Junho até que foi bom, mas em julho levamos um susto, tudo parado. Esperamos movimento na próxima quinzena'', afirmou Busnardo. O casal investiu R$ 1,8 milhão no hotel, cujas diárias, de R$ 350,00, caíram para R$ 250,00 durante a semana.
Nas pousadas o preço pode cair 50%. Como na Pousada Sobre As Nuvens, onde as diárias de domingo a quarta custam R$ 150,00. A partir de quinta, o preço é de R$ 300,00 o casal.


