Campanha pretende recuperar acervo
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terça-feira, 27 de outubro de 1998
Silvana Leão 
Desde o último dia 20 a Biblioteca Central da Universidade Estadual de Londrina (UEL) está promovendo, pela segunda vez, a campanha Adote um Livro. O objetivo é recuperar os cerca de 2 mil livros danificados, sem condições de uso, existentes no acervo das bibliotecas do câmpus.
Entre estes livros existem alguns que não têm mais do que um mês de uso, mas pela falta de cuidado no manuseio ou mesmo pela resistência precária da encadernação - para agilizar o processo de impressão a maioria das editoras hoje em dia usa apenas o sistema de colagem das páginas, sem o reforço da costura, como era feito antigamente - encontram-se em estado deplorável. Os recursos destinados à encadernação são escassos e o próprio serviço de restauração da biblioteca não dá conta de tanto trabalho.
A saída foi criar uma parceria com a Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Ibiporã e com o Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (ILECE), através da qual os livros são recuperados pelas crianças por um preço especial: R$ 10,00 a unidade (o normal, em empresas especializadas, é R$ 15,00). Quem participar da campanha estará colaborando duplamente, pois além de ajudar na recuperação do acervo da Universidade, estará contribuindo financeiramente com estas instituições, observa a diretora da Biblioteca Central Vilma Gimenes da Cruz.
Segundo a diretora, a restauração de livros é um trabalho de grande habilidade manual, que as crianças excepcionais realizam com perfeição. É claro que os alunos não têm a mesma agilidade de uma empresa especializada, mas mesmo assim a APAE tem condições de restaurar uma média de 40 livros por semana. Vilma explica que os livros serão enviados para restauração aos poucos, conforme os recursos forem sendo levantados.
A participação na campanha, que vai até o dia 20 de novembro, prevê doações de R$ 10,00, que é o custo de recuperação de cada livro. A princípio, a direção da Biblioteca Central está levando a campanha à comunidade interna, divulgando-a em todos os departamentos da UEL. Se houver interesse, eles podem assumir a responsabilidade pelo trabalho dentro de suas respectivas áreas.
Em um segundo momento, a captação de recursos deverá chegar até a comunidade externa, onde o principal alvo são as empresas. Para incentivar as doações do público em geral, os organizadores da campanha arrecadaram prêmios que serão sorteados entre os participantes, entre eles uma assinatura de três meses na Internet e um vale-compras de R$ 100,00 para supermercado.
De acordo com Vilma da Cruz, a principal diferença entre esta campanha e a primeira, que foi realizada em 93, é que daquela vez a pessoa podia optar entre doar o dinheiro ou levar ela mesma o livro para ser restaurado. Agora as opções são a doação dos R$ 10,00 ou, caso tenha o mesmo título em casa, a substituição do livro por um em melhores condições.
Além das restaurações, a campanha Adote um Livro também pretende incentivar a prevenção do problema, ou seja, conscientizar o público que utiliza o acervo das bibliotecas da importância de conservar este material. Há pessoas que não têm o mínimo cuidado. É comum rabiscarem e até arrancarem páginas, esquecendo-se que estão deteriorando um patrimônio que não é delas, diz a diretora da Biblioteca Central.
A bibliotecária que está coordenando a campanha, Izabel Maria de Aguiar, acha que a maioria não tem noção do mal que está provocando e nem do trabalho que vai dar para recuperar o estrago. É um trabalho moroso, pois os livros têm que ser examinados um a um, explica Izabel. Muitas vezes, os funcionários da biblioteca têm que procurar outro exemplar do mesmo título e fazer cópias das páginas que faltam. A situação fica ainda mais complicada quando trata-se de um título já esgotado no mercado editorial. Aí, o jeito é desfazer-se do exemplar e deixar que o acervo fique desfalcado.
A Biblioteca Central da UEL realiza em média 800 empréstimos de livros e publicações científicas por dia além de receber, neste mesmo período, cerca de 2 mil pessoas. Todo o dinheiro que será empregado em restauração - aproximadamente R$ 20 mil - poderia estar sendo utilizado na aquisição de novos títulos, caso a falta de cuidados não exercesse verdadeira mutilação no acervo público.


