DivulgaçãoNerival Rodrigues: exposições na Costa Rica e participação na ‘‘Mostra Internacional Franco-Germânica’’ em maioNerival Rodrigues passou a infância e adolescência trabalhando com os pais e os seis irmãos em plantações de café e algodão. Como todo lavrador neste país, Nerival e sua família não tinham parada certa. A busca pelo trabalho os tirou de Pernambuco, cidade de origem da família, e os levou para o interior do Paraná e de São Paulo. Cumpriram o destino da maioria dos homens do campo no Brasil: desistiram da terra e foram buscar sobrevivência na indústria e no comércio.
Neste percurso Nerival, o camponês, descobriu Nerival, o artista. Ele tinha 10 anos quando começou a se interessar pela pintura. O menino cresceu exercitando a força bruta no ganha pão a sensibilidade alimentava sua alma através de pincéis e tintas. Durante muitos anos dividiu-se entre a lavoura, o trabalho nas indústrias do interior de São Paulo - e mais tarde empregos promissores em empresas privadas - e a pintura, nos momentos de folga.
Nascido em Garanhuns, Pernambuco, em 1957, Nerival iniciou as pesquisas em técnica de óleo sobre tela em 1968. Auto-didata, a primeira exposição aconteceu em 1973 na Praça da República em São Paulo, onde expôs durante dois anos. Nesta época conviveu com os hippies e descobriu outra paixão: o som de Bob Dylan. ‘‘Cresci interiormente ouvindo Bob Dylan’’.
Esta paixão o levou a participar do livro da escritora Isabel Bings que discute a questão da criança no Brasil a partir de uma música de Bob Dylan: ‘‘Father of the day, Father of the night’’. Nerival fez 16 ilustrações para o livro intitulado: ‘‘Pai do dia, Pai da noite’’, que será lançado no segundo semestre deste ano em São Paulo, Estados Unidos, Israel e Japão.
Foi em 1982 que Nerival largou seu emprego na Cia. Suzano de Papel e Celulose para dedicar-se exclusivamente à pintura. ‘‘Não dava mais para não escutar a minha vocação’’, afirma. Durante 30 anos de dedicação à arte, Nerival participou de diversas coletivas, individuais, inclusive no exterior, ganhou prêmios como o Palheta de Ouro, que recebeu em Marrocos no Salão Brasil-Marrocos, em 1987. Foram no total 10 premiações.
Uma ligação muito forte surgiu em 1988 com a Costa Rica. Neste ano Nerival participou de uma coletiva em Brasília. Lá conheceu o então embaixador da Costa Rica no Brasil, Miguel Angelo Campos, que o levou para expor no seu país, onde participou de outras exposições. Em 1995 durante a Semana Cultural Latino Americana, Nerival foi convidado para fazer um mural na Universidade Nacional de Costa Rica, que falasse sobre direitos humanos.
Nerival pintou em 4 metros por 1,60, índios com uma floresta ao fundo e uma cidade surgindo na frente. A obra foi denominada ‘‘Liberdade Questionada’’. Os direitos humanos, a questão da terra, a Natureza, a ecologia, são os temas principais de Nerival, resquícios do homem do campo.
Sempre preocupado em desenvolver um trabalho crítico, Nerival afirma que a arte para ele é uma forma de se posicionar nas questões sociais do país. Em 1968, a preocupação com injustiças e problemas ecológicos já estava presente. Ao ver um trator derrubando árvores centenárias no Parque Dom Pedro II, em São Paulo, para dar lugar a um estacionamento, não titubeou: retratou a cena em um quadro.
Sua pintura é denominada de ‘‘Naive’’, que significa primitiva. ‘‘É um conceito nativista de vida dos seres humanos’’, conta. Ideal para retratar as preocupações de Nerival com as questões sociais, ecológicas, com a história do País. ‘‘Gosto muito de pintar temas ligados ao folclore brasileiro’’, afirma.
O trabalho de Nerival pôde ser visto durante a Expo 98, em
Londrina. Seu trabalho também estará na ‘‘Mostra Internacional Franco-Germânica - Berlim/Paris’’, a partir de 12 de maio. ‘‘Irão participar mais de mil artistas plásticos, dentre eles, cerca de cem brasileiros’’, afirma.

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