Caminhos abertos para o cinema
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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2002
Zeca Corrêa LeiteEquipe da Folha 
Regina Vogue elegeu 2002 para ser um ano tão brilhante quanto foi 2001. Produtora teatral bem sucedida, agora quer retomar as atividades de atriz e, para tanto, preparou uma lista de projetos a serem realizados. Essa lista sofreu um acréscimo nos últimos dias um convite para estrelar o curta A Poltrona, ao lado de Emílio Pitta. O filme fará sua estréia durante o 6º Festival de Cinema, Vídeo e DCine, em maio, em Curitiba. Também em cinema participará de um curta que terá a direção de Berenice Mendes, adaptação da peça A Outra, de Raul Cruz.
No tablado estão certas as participações em O Anjo do Pé de Gengibre, com texto e direção de Rafael Camargo, e em Mulheres em Chamas, com elenco, produção, técnica e direção (de Pita Belli) assinados somente por mulheres. Veneno, peça que Edson Bueno está escrevendo especialmente para Regina, dará a ela as delícias de representar uma mulher má. Sempre gostei de fazer as bandidas, tenho dó de quem defende papel de mocinha.
Determinada como sempre, a artista anuncia que irá investir na vida de atriz. Quero aprender com meus colegas, fazer cursos, me reciclar; estar em cena, ser elogiada, criticada, aplaudida. Quero trabalhar no palco. Quem não a conhece pode até pensar que sua experiência restringe-se unicamente à produção, quando na verdade é detentora de um Troféu Gralha Azul pela atuação em O Marinheiro. Antes disso já encantara os curitibanos com o monólogo em que contava a sua vida.
Mesmo direcionando-se para o palco, ainda assim Regina mantém o lado de empreendedora. Neste primeiro semestre não virá nenhuma produção inédita. o período será reservado à continuidade de montagens de 2001. Aladin deverá cumprir temporada curitibana de um mês em abril em local ainda não definido. Também é provável que seja montado em São Paulo, mas não pelas minhas mãos. Pode ser que um produtor leve e produza lá com outros atores, conta Vogue.
Menino Rei, que conquistou uma batelada de Gralha Azul, também está destinado a chegar à paulicéia, este sim, sob os cuidados da atriz. Eu quero levar, porque considero a peça uma coisa nossa. Acho que vai ser meu carro- chefe. Considero uma obra da gente que inclusive vai virar livro para ser consumido pelas crianças. Ele tem conteúdo, uma mensagem muito bonita.
A peça volta em cartaz em março, integrando a programação do fringe, a mostra paralela do 11º Festival de Teatro de Curitiba. Acho o fringe muito importante, embora na minha opinião ele devesse ser mais bem selecionado, sem tantos espetáculos. Que primasse mais pela qualidade. Regina aplaude a mostra paralela por entender que este é um espaço interessante para os produtores locais participarem.
Apaixonada por teatro infantil, a artista quer continuar a produzir, inovar, conhecer cada vez mais esse universo. Um sonho que ela pretende realizar um dia é a criação do Núcleo de Pesquisa de Teatro para Crianças. Essa é uma das minhas novas buscas. Para isso terei que buscar parcerias, pessoas que entendam do assunto como pedagogos, educadores, escritores de teatro para criança e literatura infantil.
Enquanto esse dia não chega, outro dos sonhos perseguidos por Regina Vogue está muito próximo da concretização: a construção de um teatro. Se Deus quiser vou ter o meu teatro, o meu espaço cultural. Quero estrear com Rei Leão. É possível que até o final do ano o empreendimento esteja concluído, embora ainda esteja-se na fase de escolha de local. O Alto da Quinze, Mercês e Rebouças são vistos com carinho pela artista.
Cuidadosa, Regina quer ir por etapas. A gente vai construir um barraco e aí vai trabalhando, aprimorando, deixando com a nossa cara. Qual é essa cara? A cara de Curitiba. Terá uma sala com fotos de artistas paranaenses, principalmente, que eu chamo de a sala da fama. Também não vai ser um teatro só pra mim, mas para todos que queiram trabalhar.
Tendo como filosofia de vida errar sempre, desistir nunca, a gaúcha que chegou em Curitiba há 21 anos disposta a vencer, não teme as opções para suas conquistas. Por exemplo, esta casa não é minha, é alugada. Mas ao invés de buscar uma casa própria, quero um teatro. Já disse que se não tiver onde dormir, vou dormir no teatro. Quando comecei minha vida de atriz, no pavilhão, dormia em cima de uma caixa onde eram guardadas as roupas. Comecei minha carreira assim, dormindo no meio das roupas dos espetáculos.


