As contradições propostas entre Oriente e Ocidente em ''Caminho das Índias'' tornam a cultura indiana não só algo desconhecido, mas também sem sentido para quem assiste a novela. Em alguns casos é fácil identificar como Glória Perez insere no núcleo indiano o olhar deste lado do planeta, deixando certas atitudes ocidentais escondidas atrás de roupas coloridas e expressões salpicadas em hindu.
É o caso de personagem de Tony Ramos, o indiano ortodoxo Opash. Seu filho Raj, de Rodrigo Lombardi, teve um filho fora do casamento com a ''firang estrageira'' Duda, de Tânia Khalill, enquanto morava no Brasil. Porém, como um indiano fiel a sua cultura, Raj terminou seu relacionamento com a brasileira para se casar com a esposa que seus pais escolheram, e acabou não sabendo da gravidez da moça. Para manter o casamento de seu herdeiro e não ''manchar'' o nome de sua família, Opash optou por uma saída pouco transcedental para manter o segredo: comprar o silêncio de Duda.
Mas não é só com o pai que aparecem atitudes bastante conhecidas deste lado do mundo. Raj também se mostrou liberal demais para os costumes. Depois de saber que sua esposa Maya, protagonista vivida por Juliana Paes, perdeu a virgindade antes do casamento com outro homem, Raj não se abalou e nem cogitou devolvê-la para sua família. Ao contrário, ele a consolou, já que ela estava nervosa por ter quebrado uma regra fundamental. A partir daí, o casal resolveu esquecer o passado e, seguir um relacionamento tradicionalmente hindu. Tudo com a modernidade de um casal ocidental.
Ainda em família, o irmão de Maya, o enrolado Komal, de Ricardo Tozzi, também demonstra semelhanças com patifes ocidentais. O rapaz é viciado em jogo, mais especificamente em pôquer, e por conta disso, deve bastante na praça. Além do vício, Komal constantemente joga charme para outras mulheres, mesmo sendo casado com a desconfiada Rani, de Brendha Haddad. O personagem ''foge'' do que é mostrado sobre os outros homens indianos da trama de Glória e chega a parecer um malandro brasileiro vestido de indiano.
A espalhafatosa vestimenta aliás que tem servido de ''máscara'' para personagens e atitudes bastante despreocupadas com o carma. Apesar do figurino abusar de roupas coloridas e joias, basta uma pesquisa um pouco mais aprofundada para descobrir que a Índia se veste de forma bem mais ocidentalizada. O sari é mais usado em dias de festa ou outras ocasiões especiais. No dia a dia, o povo se veste com mais simplicidade. O cenário também força muito essa caracterização. As casas esbanjam uma decoração exagerada, mais parecidas com palácios e prédios históricos, quando muitos deles moram em habitações que em nada se parecem com o famoso Taj Mahal. Diante de tantas contradições, o folhetim mostra uma Índia apenas para gringo ver.

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