São Paulo, 12 (AE) - Há um ano, quando "Caminho dos Sonhos" passou no Festival de Gramado, o título ainda era outro: "O Sonho no Caroço do Abacate", exatamente como se chama o pequeno romance do escritor gaúcho Moacyr Scliar em que se baseou Lucas Amberg para sua estréia na direção. O pequeno refere-se ao tamanho do volume e ao número de páginas, não à qualidade literária. Scliar é um dos grandes da literatura brasileira contemporânea.
No calor do festival, o filme de Amberg terminou recebendo críticas péssimas. Passou logo depois de "Carne Trêmula", de Pedro Almodóvar, ser exibido fora de concurso. Os críticos disseram que, com o filme de Almodóvar, o festival ia às nuvens e que, depois disso, Amberg atirou Gramado lá embaixo. Estavam certos.
Só que agora o filme estréia precedido da acolhida positiva que teve no Festival do Cinema Brasileiro de Miami. Taís Araújo foi escolhida a melhor atriz do evento por seu papel como Ana. "Caminho dos Sonhos" conta a história de Mardo (Edward Boggiss), um adolescente filho de imigrantes judeus que vai estudar num colégio católico nos anos 60. Enfrenta duplo preconceito: racial e religioso.
Ele se apaixona por uma garota negra (Ana). Às pressões no colégio soma-se a da família (os pais são interpretados pelos atores americanos Elliott Gould e Talia Shire). Ana é ativista política, pois Amberg transpôs o livro de Scliar para a época da ditadura militar, reforçando o aspecto político.
Realmente, não é um bom filme. Chega a ser piegas e banal no tratamento de grandes temas. Mas é sincero. Pode ser sua qualidade regeneradora.
Serviço - "Caminho dos Sonhos". Romance. Direção de Lucas Amberg. Com Elliott Gould, Talia Shire, Edward Boggiss, Taís Araújo, Antônio Abujamra, Caio Blat, Mariana Ximenes. Duração: 103 minutos. Distribuição: United International Pictures.

mockup