Caminho do sol
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de outubro de 2002
Eduardo Petta<br> Agência Estado 
Relatos históricos dão conta de que, após a dispersão dos apóstolos, Santiago passou a pregar nas longínquas terras do extremo oeste da Espanha. Depois de muito tempo, retornou à Palestina onde foi preso e, a mando de Herodes, decapitado. Seu corpo foi então recolhido por discípulos e levado novamente de navio para a costa espanhola onde foi enterrado.
O seu sepulcro passou a ser um local de peregrinação e hoje milhares de pessoas de todas as partes do mundo percorrem o Caminho de Santiago em busca de introspecção e auto-conhecimento.
Mas não é preciso ir tão longe para sentir-se um peregrino. Foi criada em julho deste ano, a versão paulista da peregrinação espanhola. É o Caminho do Sol, roteiro montado por 12 cidades do interior de São Paulo, que se uniram para traçar 240 km de percurso, cruzando trilhas de terra ou trajetos rurais já existentes entre as cidades de Santana de Parnaíba e Águas de São Pedro.
Na paisagem: fazendas da região, canaviais, montanhas e pedras que marcam o Vale Médio do Tietê, além de locais históricos, como a casa em que viveu a artista Tarsila do Amaral (1886-1973).
A infra-estrutura é bastante parecida com a da Espanha, ao menos em filosofia: preços baratos e refeições simples. O caminhante dorme em locais rústicos onde pode tomar banho e fazer uma alimentação balanceada. Há até lugar para lavar roupa.
Para começar o percurso, o peregrino recebe uma credencial da Secretaria de Cultura e Turismo da histórica Santana de Parnaíba. O documento é chamado de Passaporte do Sol, contendo informações pessoais, a rota a ser percorrida, telefones úteis em cada uma das cidades e espaço para o carimbo nas paradas.
Anda-se em média 25 quilômetros por dia. Em geral, os participantes saem entre 6h e 7h da manhã, e chegam ao próximo local de descanso, refeição e pernoite por volta das 14h. O trajeto é todo sinalizado pelas tradicionais setas amarelas características da peregrinação espanhola.
A idéia de recriar um caminho semelhante ao encontrado na Espanha partiu do empresário paulistano José Palma. ``Ao voltar de Compostela senti a necessidade de caminhar mais, oferecendo aos futuros viajantes a possibilidade de realizar caminhadas preparatórias, experimentando contato com as mochilas, as bolhas, além de trocar idéias e pegar dicas dos antigos peregrinos``, conta. ``Estes, por sua vez, podem reviver aqui um pouco das suas sensações, percorrendo longas distâncias, e desfrutando da mesma filosofia de hospitabilidade hoteleira dos caminhos espanhóis.``
Segundo Palma, a idéia ganhou corpo quando seu amigo de Compostela, Jesus Jato um hospitaleiro dos viajantes da Espanha veio ao Brasil e doou uma imagem de São Tiago para marcar o fim do percurso brasileiro, que hoje se encontra na cidade de Águas de São Pedro.


