Caminho das pedras
PUBLICAÇÃO
domingo, 05 de julho de 2015
Caroline Borges<br> TV Press 
É com cautela e tranquilidade que Talita Younan encara seu primeiro papel fixo na tevê. No ar como a doce e romântica Damarina, de "Os Dez Mandamentos", da Record, a atriz de 22 anos ainda fica um pouco desorientada com o ritmo acelerado das câmaras. E, por isso mesmo, conta com as orientações do diretor Alexandre Avancini para se adequar à linguagem e se livrar de alguns cacoetes dos palcos, onde trabalhou dos 9 aos 18 anos. "No teatro, a gente fala muito mais alto. Na tevê, tudo é mais contido, os gestos são menores. Eu sou muito expansiva. São pequenos detalhes que vou moldando aos poucos", afirma.
Por conta de sua pouca experiência no vídeo, Talita não abre mão de assistir às suas cenas e avaliar seu desempenho. A oportunidade de rever as sequências reforça a personalidade autocrítica da atriz, que gosta de analisar todos os seus trejeitos durante as gravações. "Não gosto de me ver, mas é necessário. Quando vi minha primeira cena, logo percebi o quanto eu fazia caretas e expressões marcantes na hora de atuar", lembra.
Na trama escrita por Vívian de Oliveira, Damarina é a irmã mais nova de Zípora, papel de Gisele Itié. Romântica, a personagem é a mais sensível e delicada das sete irmãs. "Quando comecei a ler a sinopse, vi que era um universo e uma personalidade muito distante de mim. A Damarina é muito calma, já eu sou agitada e falo tudo muito rápido. Precisei me conter em cena", avalia.
Para compor uma personagem de um tempo tão longínquo de sua realidade, Talita frequentou uma série de workshops no RecNov, complexo de estúdios da emissora, localizado na Zona Oeste do Rio de Janeiro, para compreender os hábitos da época. Entre um dos principais momentos durante o período de composição, a atriz ressalta as aulas para aprender a depenar uma galinha. "Precisei colocar o nojo de lado. Tínhamos de tirar tudo de dentro do peixe também. Era algo que nunca pensei em fazer. Foi muito difícil. Muitas pessoas saíram chorando. Mas era meu primeiro trabalho e precisava passar confiança", aponta ela, que também começou a regular o uso de gírias em cena. "Algumas expressões são muito instintivas, como tá e né. Não podemos usar nada disso em uma trama bíblica. É muito irreal", completa.
Natural de Presidente Prudente, interior de São Paulo, Talita começou no teatro para perder parte de sua timidez. No entanto, ao longo do tempo, decidiu fazer da atividade extracurricular uma profissão definitiva. E, aos 18 anos, se mudou para São Paulo para investir com mais afinco na carreira. "Fui sozinha, sem conhecer ninguém, sem saber cozinhar e nem conhecer a cidade. Sofri muito no início. Afinal, me bancar em São Paulo era muito caro", lembra ela, trabalhou com publicidade para ganhar dinheiro de forma mais rápida para se sustentar sozinha e dar sequência aos planos na atuação. "Com um trabalho, eu ganhava para me sustentar por uns três meses. Assim, eu tinha mais tempo para frequentar diversos cursos e participar de testes e seleções de elenco", completa.


