No ar há pouco mais de um mês, ''Caminho das Índias'' (Globo) ainda não conseguiu repetir o sucesso das tramas anteriores de Gloria Perez, famosas pelos recordes de audiência - ''O Clone'' (2001/2002) e ''América'' (2005) se despediram com mais de 60 pontos no Ibope. Em seus primeiros 25 capítulos, a trama, que estreou em 19 de janeiro e é protagonizada por Juliana Paes e Márcio Garcia, teve um desempenho inferior até ao de ''A Favorita'' - cuja média foi considerada a pior de uma novela das oito em seu primeiro mês de exibição.
Enquanto o folhetim da vilã Flora (Patrícia Pillar) registrou no período 35,2 pontos, ''Caminho das Índias'' ficou com 34,5. Para especialistas em teledramaturgia ouvidos pela reportagem, alguns fatores podem justificar o fato de a trama que tem um pé na Índia ainda não ter emplacado.
Na opinião de Claudino Mayer, falta ritmo à novela e há repetição de algumas temáticas, o que resulta no desinteresse do público. ''Todo mundo esperava que a volta de Gloria ao horário nobre fosse surpreender e que ela conseguiria transformar o Ibope das oito mais uma vez em um sucesso. Mas a autora resolveu apostar novamente em histórias conhecidas pelo telespectador'', afirma Mayer. Na avaliação do especialista, faltam temas e acontecimentos que despertem a perplexidade. ''É uma história morna, com elementos desgastados, como amores platônicos, ricos gananciosos e pobres sofredores. Se alguém perder dois capítulos e voltar a assistir, perceberá que nada mudou.''
Para o estudioso, algumas ações poderiam tornar ''Caminho das Índias'' mais interessante. ''Gloria deveria focar a história nos núcleos brasileiros e explorar mais Raj (Rodrigo Lombardi), que tem mais apelo do que o mocinho Bahuan (Márcio Garcia), já que ele (Bahuan) e Maya (Juliana Paes) não têm nada a ver um com o outro.'' Abolir de vez as palavras e as frases indianas também poderia ajudar. ''Isso só confunde o público.''
Crítico de cinema e comentarista de TV, Marcos Petrucelli diz que as campanhas sociais e a interação entre países de línguas diferentes já cansaram os telespectadores. ''São sempre os mesmos conflitos em relação a culturas diferentes. É muito repetitivo.'' Na opinião de Petrucelli, a trama indiana é fraca. ''Todo mundo deveria se mudar para Rio.''
Acompanhando o Ibope de ''Caminho das Índias'' diariamente, Gloria Perez diz que não vai fazer nenhuma alteração na história. ''A novela tem excelente repercussão. Não há nenhuma necessidade disso.'' De acordo com a novelista, é normal que um folhetim tenha uma audiência menor em seu começo. ''Estreamos em pleno horário de verão, e sabe-se que, nessa época, o número de televisores ligados diminui muito porque as pessoas estão viajando, em férias, na rua, curtindo o calor. Não é um bom momento para assumir o compromisso de acompanhar uma história. E o nosso ponto de partida só poderia ser o patamar deixado pelas (tramas) anteriores. Assim é com todas as novelas, não há nenhuma surpresa nisso'', afirma a autora.

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