Caminhando nas nuvens
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domingo, 10 de agosto de 1997
Agência Estado 
ReproduçãoO contato com a natureza e com a cultura local, o isolamento e a paisagem destas regiões dão a sensação de estar no topo do mundoNova York, Paris, Miami... Para os que já estão cansados dos roteiros mais tradicionais de férias no exterior e têm espírito aventureiro, uma boa opção é passar alguns dias conhecendo e caminhando na região dos maiores picos do Velho Continente: Mont Blanc (na Europa, a 4.800 metros acima do nível do mar), Kilimanjaro (na África, a 5.895 metros) e Monte Everest (na Ásia, a 8.848 metros, o ponto mais alto do planeta). O contato com a natureza e com a cultura local, o isolamento e a paisagem destas regiões dão a sensação de estar no topo do mundo.
Antes de desanimar só de ver a altura dos montes, é bom saber que há opções de aventuras light, onde a caminhada é feita em altitudes menores e com maior conforto de hospedagem. Além disso, excetuando-se o Kilimanjaro, nenhum dos montes é escalado. Na opção light do Everest, percorre-se trilhas próximas ao pé do monte, a mais de 3,8 mil metros de altitude. Para os aventureiros, as caminhadas levam ao início das geleiras eternas do Everest, a cerca de 5,6 mil metros do nível do mar. Já o passeio pelos Alpes não ultrapassa os 2,7 mil metros de altitudes - é, portanto, o que apresenta menores dificuldades.
A idéia de aventura, no entanto, está presente da mesma forma. Os hotéis e restaurantes onde ficamos dão bastante conforto ao grupo. Mas a atmosfera dos locais acaba fazendo as pessoas se desligarem completamente da vida deles no Brasil. Como tudo é feito a pé, a sensação é de que se está explorando estas regiões, explica José Pauletto, dono da Pauletto World Treks, que promove as viagens. Formado em Educação Física pela USP, Pauletto dedica-se ao alpinismo e detém alguns recordes - como o de ascensão mais rápida do Aconcágua, a mais alta montanha da Américas. O alpinista está procurando patrocínio para se tornar o primeiro sul-americano a escalar o Monte Everest sem balão de oxigênio.
Obstáculos Para participar das excursões, não é preciso conhecer as técnicas do alpinismo - pelo contrário, muitos são absolutamente leigos no assunto. Por sinal, os grupos que viajam são caracterizados, em geral, pela sua hetereogenidade: há desde jovens profissionais liberais até aposentados com mais de 50 anos. Outro fato bastante interessante é que, das 250 pessoas que já viajaram nos dez anos de agência, 70% eram mulheres. Acredito que elas sejam mais abertas a novas experiências e mais aventureiras, contou Pauletto, lembrando que este tipo de passeio não faz restrições a ninguém Desde que a pessoa não tenha problemas sérios de ordem física, ela pode perfeitamente participar dos programas, principalmente dos light, completou.
As principais dificuldades são, sem dúvida, a altitude, o clima e a irregularidade do terreno. Para evitar problemas, Pauletto pede aos aventureiros que levem roupas de inverno semelhantes às que se leva para Campos do Jordão (casacos, blusas de lã, etc), pelo menos dois pares de tênis (de preferência, resistentes e confortáveis) e material básico de trekking, como capas protetoras contra o forte vento.
Todo este esforço é recompensado pela paisagem única destas regiões e pela satisfação após o término de cada etapa do trekking. No caso do Kilimanjaro, a sensação é que a África está a seus pés. A realização é total. A maioria das pessoas me conta que foi uma das maiores experiências de suas vidas. Uma viagem totalmente diferente das que tradicionalmente são feitas pelo exterior, contou Pauletto. A primeira reação do aventureiro ao chegar no topo, em geral, é literalmente queimar todos os filmes possíveis. Afinal, provavelmente nunca mais ele voltará a ver aquela paisagem, única no mundo.


