Zilma Santos
De Lisboa
Caminhar por Lisboa é o melhor modo de descobrir seus encantos. Um roteiro básico pode começar descendo pela Avenida da Liberdade até a Praça dos Restauradores. Do lado oposto da praça está o Palácio Foz, a opulenta estação ferroviária do Rossio, em estilo neo-manuelino; e o Palácio da Independência. Um pouco mais abaixo, em torno da Praça do Rossio estão outros prédios de porte. O Teatro Nacional D. Maria II tem uma fachada neoclássica que data de 1842. De raiz medieval, o edifício foi sede da Inquisição até o século 18. Ao lado, está a Igreja de São Domingos, datada de 1241 e hoje, com uma fachada do século 18 (reconstruída depois do terremoto, maremoto e incêndio de 1755 sob ordens do Marquês de Pombal com o ouro vindo do Brasil). Aliás, na parte baixa da cidade, os prédios de linhas simples, janelas emolduradas, sem balcões nas cores rosa, azul e amarelo; e as ruas largas são evidências do estilo pombalino. A Baixa Pombalina é formada por um conjunto de 15 ruas e três praças no trecho entre a Praça dos Restauradores e o Tejo.
Seguindo em direção ao rio, entra-se na zona de comércio mais tradicional de Lisboa formada pelas ruas do Ouro, Augusta, da Prata e dos Fanqueiros. Na Rua do Ouro, faça uma pausa para desfrutar de uma panorâmica do alto do elevador de Santa Justa. Já na Rua Augusta vê-se o portal do Arco da Vitória que dá acesso à Praça do Comércio, um dos cartões-postais de Lisboa, e sede de alguns ministérios. No centro da praça, antes chamada Terreiro do Paço, está a estátua do rei D. José a cavalo, sob um pedestal em que aparecem a Fama e o Triunfo.
Do outro lado da Rua, saem barcos que levam a passeios pelo Tejo. À noite, a Rua Augusta iluminada e tomada por mesinhas, parece um imenso salão de baile com seu piso limpo e brilhante.
Ainda próximo à Praça do Comércio, entre as ruas da Alfândega e Bacalhoeiros, faça uma pausa no bicentenário Café Martinho d’Arcada, point de poetas e intelectuais lisboetas. Dizem que ali, entre conversas e cafés, é que nasceram e ainda nascem grandes obras e projetos. O exemplo mais recente é o projeto da Expo 98 que levou Lisboa a vencer concorrentes do Japão e Canadá e sediar a Exposição Mundial que revitalizou uma área considerada depósito de lixo da cidade.

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