Administração do balneário mais famoso de Santa Catarina investe para atrair turistas mas busca a preservação do meio ambiente em praias ainda pouco exploradas
Quem imagina que o município de Balneário Camboriú, (81 km de Florianópolis - Santa Catarina) é puro agito está enganado. A cidade que ficou conhecida pelas suas belezas naturais aliadas a um comércio forte e vida noturna agitada quer agora mostrar seu lado agreste, que conta com áreas da Mata Atlântica preservadas e seis praias ainda pouco exploradas turisticamente, localizadas ao sul do município.
Um dos motivos que fez as seis praias permanecerem distantes do turista era a dificuldade de acesso. A estrada de terra tornava-se quase intransitável em dias de chuva. Além disso, a topografia do local (praticamente todo o trajeto é composto por subidas) tirava a disposição daqueles que demonstravam algum interesse em conhecer a região. Mas no fim do ano passado foi inaugurada a Linha de Acesso às Praias Rodesino Pavan (Lap), uma rodovia de 16,5 quilômetros que dá acesso às praias de Laranjeiras, Taquarinhas, Taquaras, Pinho, Estaleiro e Estaleirinho. A mais famosa é a praia do Pinho, primeira praia de naturismo oficial do Brasil.
A Lap é resultado de um investimento de R$ 14 milhões, boa parte feitos pela própria prefeitura para estimular o turismo na região. A obra ainda não está totalmente concluída. Faltam espaços de contemplação e obras de paisagismo, mas o problema maior que atrapalhava o desenvolvimento da região, o acesso, foi solucionado.
A exploração turística que se quer no lugar leva em consideração o cuidado com o meio ambiente. Graças a um plano diretor bastante cuidadoso e leis de proteção ambiental que prevêem multas altas para infratores, a região deve se desenvolver mantendo seus encantos naturais. ‘‘Não queremos que aconteça na região agreste o que aconteceu na praia central’’, diz o vice-prefeito, Rubens Spernau, lembrando da construção desordenada do centro, com altos prédios à beira mar, que roubam o sol dos turistas a partir da metade do dia.
Além das belas paisagens que podem ser apreciadas no trajeto, percorrendo a Lap o turista também fica conhecendo um pouco da história da região, colonizada por açoreanos a partir de 1826. Um dos primeiros bairros a que se tem acesso pela Lap é o antigo Arraial do Bom Sucesso, primeira colônia açoreana de Camboriú e que ainda abriga a Igreja de Santo Amaro.
Construída em 1849, a igreja guarda algumas curiosidades. Suas paredes foram edificadas com areia e cascas de moluscos. E o sino, guardado como relíquia, apresenta rachaduras que foram provocadas pela comemoração da abolição da escravatura. No bairro Bom Sucesso ainda residem pescadores que tiram seu sustento do que colhem do mar e dos produtos artesanais que confeccionam.
Na primeira das seis praias, Laranjeiras, fica o sítio arqueológico do Sambaqui. Lá foi encontrado um cemitério dos índios tupi-guaranis. O destaque fica para dois esqueletos de índias grávidas e seus bebês. Estudos revelaram que os ossos têm mais de três mil anos. Os esqueletos estão expostos no Museu Arqueológico do Parque Cyro Gevaerd, localizado a seis quilômetros do centro de Balneário Camboriú. O acesso se dá pela BR 101.
Seguindo pela LAP, o turista chega a Praia do Pinho, a primeira praia de naturismo oficial do Brasil. O naturismo é definido pelos seus praticantes como um modo de vida em harmonia com a natureza, caracterizado pela prática do nudismo em grupo, que tem por intenção favorecer o auto-respeito, o respeito pelo outro e o cuidado com o meio ambiente.
Para garantir a privacidade dos visitantes, a entrada na praia do Pinho é proibida para aqueles que não querem praticar o nudismo. A faixa de praia está dividida em três áreas: uma para casais e famílias, outra para solteiros e uma área mista, que é uma espécie de área de adaptação para as pessoas que estão iniciando a prática de nudismo.
(A repórter Denise Angelo viajou a Camboriú a convite da organização da BNT Mercosul)

mockup