Para conhecer a grande variedade de paisagens que a região comporta vale fazer um passeio de barco margeando os extensos manguezais da Baía de Camamu, considerada a terceira maior da costa brasileira. Ela perde em tamanho apenas para a vizinha Baía de Todos os Santos e para a Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.
As embarcações que fazem o passeio costumam sair do Porto do Rio do Céu e navegam em ziguezague para fugir das pedras. Quando a maré está baixa avistam-se inúmeros aratus (espécie de siri).
A Cachoeira Veneza, situada num extremo da baía, é uma das poucas do Brasil que deságuam diretamente no mar. Formada pelo Rio Tremembé, a queda se abre em leque e tem um bom volume d'água. Nem é preciso descer do barco para tomar banho, pois ele se encosta às quedas e permite aos banhistas receber a hidromassagem ali mesmo.
Ao longo do estuário existem algumas pequenas ilhas do Tubarão, do Tanque, do Goió, do Sapinho, Ilha Grande, Campinhos, da Pedra Furada. Cada uma delas tem seus atrativos particulares. Na Ilha do Tanque, por exemplo, dá para fazer um trekking de uma hora pela mata, entre cajueiros, cacaueiros e árvores de grande porte como maçarandubas, mangueiras e palmeiras de dendê. A picada atravessa a rústica vila de pescadores, chega até duas seculares casas de farinha de mandioca ainda ativas, e cruza até o outro lado, terminando no povoado do Mata-Fome.
Mas a ilha mais famosa dessas paragens chama-se Pedra Furada, formada por rochas de origem vulcânica. Até aí nada de novo. O detalhe é que são milhões de pedrinhas, todas com um buraco no meio. Em tempos de maré baixa, as menores dão origem a uma espécie de passarela sobre os bancos de areia, que leva até a ilha. E as maiores formam um arco natural por onde se passa facilmente.
Segundo uma antiga lenda indígena, aquele que fizer um pedido ao atravessar será atendido. O infatigável trabalho de esburacar as pedras uma a uma é atribuído a uma espécie de molusco chamado gusano. As rochas são o seu principal alimento.

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