''Não penso como uma musicista. Sou uma artista plástica e a música precisa vestir uma poesia.'' Alheia a rótulos ou descrições definitivas sobre seu trabalho, assim Cibelle Cavalli, 24 anos, resume as composições de seus discos, que poderão ser conferidas de perto para quem assistir as apresentações da cantora, modelo, atriz, artista plástica e multiinstrumentalista no Tim Festival, no Rio de Janeiro e em São Paulo, nos dia 26 e 27 de outubro, respectivamente.
Cibelle interessou-se pela música desde muito jovem, ainda pequena, quando descobriu o piano, e buscou o mundo artístico também como modelo em propagandas. Desde que passou a se dedicar mais à veia sonora, vem ouvindo o burburinho em torno de seu material aumentar a cada ano, após a estréia com ''São Paulo Confessions'', em 2000, ao lado do produtor iugoslavo Suba.
Na Europa, onde vive atualmente, suas canções se espalharam rapidamente. ''Moro há cinco anos em Londres, fui para lá depois de assinar com o selo belga'', lembra.
O selo em questão é o Ziriguiboom, que também já gravou material de Bebel Gilberto. No primeiro disco lançado pelo selo, ''Cibelle'', em 2003, a cantora mostrou mais de sua versatilidade, em composições que transitam entre o a bossa nova, o jazz, o trip-hop e misturas, experimentações bem-sucedidas. Essa personalidade artística multifacetada é descrita em sua página na internet (www.cibelle.net e www.myspace.com/cibelleblackbird) como uma ''camaleoa por natureza''.
''Isso é porque respeito as mudanças internas que todo mudo tem e vivo isso sem problemas, transpareço isso. De um disco para outro mudei muito e até acho esquisito quando as pessoas dizem que não mudei'', explica.
Com ''The Shine of Dried Electric Leaves'', lançado no ano passado, Cibelle destaca mais uma vez essa inquietação musical e também expõe mais de suas referências, como Tom Jobin e Bjork, e preferências, a exemplo de canções que tiveram as parcerias de Devandra Banhart, Seu Jorge e Spleen. ''Quando faço parcerias é porque estou apaixonada pela música desses convidados'', ressalta.
Cibelle fez recentemente sua primeira apresentação no Brasil desde que consolidou seu trabalho na Europa. E tocar diante de seu País oferece uma sensação diferente. ''Meu primeiro show no Brasil foi maravilhoso, foi como ser desvirginada pelo namorado. Tocar aqui é um outro calor, a mesma linguagem corporal.''
Sobre seus próximos shows em solo tupiniquim, Cibelle prefere deixar a ansiedade de lado. ''Estou feliz por ter sido convidada mas procuro não ter expectativa, prefiro deixar a coisa acontecer'', diz. E assim ela lida também com seus próximos projetos e o futuro. ''Não sou impulsiva, mas uma sensitiva de forma relaxada. Estou vivendo e não preparando nada, vivo a cada cinco segundos, a cada momento'', completa.

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