Calouros em desfile
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de agosto de 2009
Mauro Trindade<br> TV Press 
Depois do sucesso mundial da cantora Susan Boyle, não havia mais dúvidas da popularidade dos reality shows musicais, se é que alguém ainda tinha alguma. A estratégia é idêntica a anteriormente utilizada com Paul Potts, o tenor amador que encantou o Reino Unido com sua interpretação de Nessun Dorma, de Puccini. E é a mesma que está sendo utilizada com o travesti Lívia Mendonça, em Ídolos, da Record. Superação é o conceito.
Nesse mundo onde tudo é produção e planejamento, a falta de uma surpresa legítima não chega a ser um pecado capital. Sempre surgem alguns patinhos feios ou desviantes que reafirmam o caráter plural e democrático de um bom programa de calouros, do qual esses novos reality shows são descendentes diretos.
Calouros em Desfile foi um dos mais conhecidos na Era de Ouro do rádio brasileiro, comandado pelo compositor Ary Barroso. Num deles, surgiu uma moça magérrima enfiada em um vestido três vezes maior que ela. Ary, um carrasco com os candidatos, fulmina e pergunta de que planeta era ela. Do planeta fome, a menina responde. Elza Soares acabava de nascer.
Sem saudosismo, a despeito de alguns bons cantores, aparentemente não surgiu ainda nenhum grupo ou intérprete com o mesmo carisma e talento de uma Elza Soares.
Musicalmente Ídolos não tem realmente muito a oferecer. É uma continuação do mesmo perfil que há duas décadas as gravadoras multinacionais pavimentam no Brasil. Mas a simpatia de Rodrigo Faro como apresentador e a bem temperada mistura dos jurados tornam o programa dinâmico.


