Os ventos sopram para o mesmo lado e a biruta nem se agita na programação da Globo e do SBT, que andam trilhando pelos mesmos atalhos em busca de audiência. Os ‘‘reality-shows’’ viraram a resposta para a falta de idéias das duas emissoras e estão prestes a massacrar o público com dois programas que misturam prova de resistência com programa de calouros, batizados de ‘‘Fama’’ e ‘‘Popstars’’. Ambos estréiam hoje respectivamente pela Globo e SBT, e se confundem em semelhanças. Depois de colocarem pessoas comuns, trancadas em casas e sendo vigiadas 24 horas por dia, as novas produções mostram as dificuldades de aspirantes para conquistarem o estrelato no cenário musical.
Dirigido por Luiz Gleiser, ‘‘Fama’’, da Globo, conta com 11 jovens – entre 18 e 30 anos – escolhidos entre mais de 720 concorrentes, pré-selecionados pelas afiliadas da Globo e em academias de canto do Rio e São Paulo. ‘‘Procuramos em lugares específicos porque precisávamos de pessoas que já possuíssem grande potencial’’, explica Gleiser, que preferiu omitir o orçamento da produção. Para o programa, que ainda não tem apresentador definido, foi construída uma academia de mais de 1 mil metros quadrados, um gigantesco palco, refeitório e alojamentos masculino e feminino.
Para monitorar a rotina destes jovens, que serão vigiados por 16 câmaras, um seleto grupo de mestres de canto, interpretação, cultura geral, expressão corporal, nutricionista, fonoaudióloga e coreógrafo têm a incumbência de dar aulas diárias aos participantes das 9 às 21 horas. A diretora geral da academia, Liliane Secco, fica com a responsabilidade de identificar as principais dificuldades dos cantores. ‘‘Vou lapidar estes talentos para lançarmos apenas um, que será o grande vencedor’’, adianta Liliane.
Durante todo o processo de seleção, ‘‘Fama’’ será exibido em um programa especial de uma hora e meia, durante oito sábados, antes da novela ‘‘Coração de Estudante’’. Durante a semana, os participantes serão mostrados antes do folhetim ‘‘Malhação’’, por apenas 10 minutos. A cada semana, aos sábados, um júri de cinco nomes envolvidos no universo musical indicam quatro candidatos a deixarem a academia, após o show ao vivo dos competidores. No espetáculo seguinte, em apresentações solo, o público - através do telefone e da Internet - escolhe qual dos quatro deve realmente ser eliminado.
Enquanto a Globo prepara apenas um grande finalista, o ‘‘Popstars’’, da emissora de Silvio Santos, está preocupado em lançar um grupo feminino, uma espécie de Spice Girls tropical. O programa acompanha toda a seleção das candidatas desde a primeira fase eliminatória, onde 6 mil aspirantes a cantora se reuniram no Sambódromo do Anhembi, na capital paulista, no dia 30 de março.
A cada seleção, que ocorre semanalmente, as concorrentes são acompanhadas por 29 câmaras espalhadas pelo palco e arredores, registrando inclusive o ‘‘making of’’ de todo o processo. ‘‘Será um misto de documentário e novela da vida real, pois ninguém fica trancado em uma casa’’, avalia a diretora geral do programa, Elizabetta Zenatti.
Sucesso em países como França, Holanda, Japão, Alemanha e Bélgica, o ‘‘Popstars’’ é uma co-produção do SBT com a RGB Entertainment, uma produtora independente, responsável por várias atrações da Disney. Com um orçamento estimado em R$ 6 milhões e uma parceria com a Sony Music, o programa termina quando cinco ou seis meninas são escolhidas para montar a banda que gravará um CD pela Sony.
Dividido em 20 miniprogramas semanais de um minuto, e um especial de uma hora aos sábados, com início às 19h50, ‘‘Popstars’’ conta com cinco jurados do meio musical. Para Mauro Lissone, Diretor de Programação do SBT, o programa não é só um ‘‘reality-show’’, mas o acompanhamento da realização de um sonho que se identifica com a maioria das adolescentes brasileiras. ‘‘Nos outros países, o programa foi o número um em audiência e vendas de discos’’, valoriza Mauro.

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