O último livro de Antonio Callado, que morreu no último dia 28, aos 80 anos, pode ter sido destruído pelo autor, segundo a viúva do escritor, a jornalista e professora Ana Arruda Callado. O livro, incompleto, ainda estava nos manuscritos que ele gostava de fazer, em cadernos escolares, antes que suas obras chegassem a uma versão definitiva.
Para Ana Arruda, é possível que Callado tenha destruído o texto, pois estava ‘‘sinceramente muito cansado da vida’’. Ela disse não saber do que tratava a obra, pois Callado não gostava de mostrar seus trabalhos antes que tivessem uma versão definitiva.
‘‘As pessoas acham que eu era a primeira leitora de Callado, mas, na verdade, isso era feito pela datilógrafa ou digitadora’’, afirmou.
O método de trabalho do escritor, contou, começava com os manuscritos. Depois, ele mesmo datilografava o texto e, sobre o que batera à máquina, fazia correções manualmente. Era essa versão que era mandada para datilografia ou digitação. Durante todo esse processo, disse Ana Arruda, o texto e o tema do livro eram objetos de segredo mesmo para ela.
‘‘Eu só lia quando voltava da datilografia’’, afirmou. ‘‘A revisora era eu.’’
Também é impossível, segundo Ana Arruda, saber que título teria a obra que Callado começara a preparar. Batizar um livro era, praticamente, a última coisa que o escritor fazia. Segundo a viúva, a busca da perfeição fazia o escritor deixar de lado muita coisa que escrevia, mas depois desprezava, por não gostar do resultado final.

mockup