O calendário ‘‘Curii - a Floresta Esquecida’’ extrapola a sua simples função de facilitar a consulta dos dias do ano para, com belas e atrativas fotos, provocar uma discussão, fazer pensar e principalmente informar sobre a riqueza e importância da floresta com araucária. O projeto, patrocinado pela Posigraf, tem a parceria do fotógrafo e ambientalista Zig Koch e da jornalista Maria Celeste Corrêa.
Com fotos ampliadas duas mil vezes e textos que contam toda a história da floresta, desde seu surgimento - ocorrido entre 200 e 180 milhões de anos atrás até os dias de hoje - o calendário encanta pela beleza gráfica. ‘‘Como cidadãos brasileiros, temos a obrigação de lutar pela preservação da floresta com araucária. E o primeiro passo é este: informar a comunidade e lançar o debate’’, afirma Giem Guimarães, diretor comercial da Posigraf e responsável pela criação do calendário.
Mauro FrassonA jornalista Maria Celeste Corrêa e o fotógrafo Zig Koch produziram o calendário ‘‘Curii - a floresta esquecida’’: textos e fotos enfocam a araucáriaAo todo, o calendário de parede possui 30 fotos distribuídas em 14 folhas maiores - com 45 centímetros de largura por 60 centímetros de altura - e mais 12 páginas menores, sobrepostas, que ocupam um terço das folhas maiores. Nesse espaço estão os textos que contam toda a história da floresta. O trabalho de pesquisa foi realizado por Maria Celeste ao longo de oito meses de pesquisa e inclui inúmeras entrevistas com profissionais das áreas de botânica, engenharia florestal, fauna, agronomia, meio ambiente, história, geologia e antropologia.
A partir de cromos produzidos pelo fotógrafo em formato de 35 milímetros, as fotos passaram por um tratamento rigoroso através de um sistema digital de última geração. Depois de copiadas através de scanner a laser, as imagens passaram a ser tratadas em computador de forma individual, para que pudessem ser corrigidas todas as distorções decorrentes das ampliações. O resultado, de acordo com Zig Koch, foi a reprodução fiel dos cromos originais, produzidos por ele e de duas fotos assinadas pelo fotógrafo catarinense Anselmo Viana Nascimento.
Zig Koch conta que, para conseguir registar em fotos toda a exuberância da araucária foram consumidas dezenas de horas de trabalho e muita paciência. A principal função do calendário, para ele, é levantar a questão do desperdício. ‘‘O modelo extrativista está alastrado no País. A floresta Amazônica está indo pelo mesmo caminho da floresta de araucárias. Mas o mundo é redondo e temos de que pensar alguma coisa hoje. Os problemas de devastação são muito sérios e leva-se pouco tempo para derrubar uma floresta’’, alerta.
De acordo com o fotógrafo, que realiza há mais de oito anos uma minuciosa documentação fotográfica dos remanescentes de floresta com araucária, a sistemática de exploração meramente predatória, sem um manejo racional, destruiu mais de 95% desse ecossistema original e, apesar da herança de pobreza que nos deixou, vem se repetindo em outros ecossistemas como o cerrado, e as florestas Atlântica e Amazônica.
‘‘Temos um patrimônio natural de valor inestimável e só poderemos preservá-lo se a comunidade assim o desejar. Mas sabemos que as pessoas só preservam aquilo que conhecem e aprendem a amar. Por isso, este trabalho é fundamental. É uma semente’’, reforça Maria Celeste. Ela lembra que o calendário representa, também, um resgate histórico muito importante. ‘‘A história da floresta com araucária está intimamente associada à saga vivida pelos povos do sul do Brasil, desde as comunidades indígenas até os colonizadores, passando pela Guerra do Contestado.’’
Para mudar esse legado de destruição, a saída pode ser a informação e a educação. Para isso, a Posigraf irá distribuir os textos do calendário para os 400 mil estudantes do Sistema Positivo, além de promover debates e palestras sobre o tema.
Outra iniciativa importante, envolvendo a equipe que trabalhou na confecção do calendário, será a edição de um livro sobre o tema. Concebido por Zig Koch, responsável também pelas fotos, o livro terá pesquisa e texto assinados também por Maria Celeste e contará com o apoio da Posigraf. ‘‘A mensagem que desejamos passar é a seguinte: faça alguma coisa, você também pode ajudar a salvar a floresta’’, finaliza Maria Celeste.
O trabalho do fotógrafo Zig Koch pode ser conhecido também pelo site: http://www.zigkoch.com

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