Caldeirão sonoro vai ferver no Cabaré
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terça-feira, 27 de maio de 2003
Antônio Mariano Júnior<br> Reportagem Local 
Certa vez, um jornalista estrangeiro pediu aos integrantes do grupo carioca Pedro Luís e a Parede para definirem o estilo musical que praticavam. A resposta foi dada pelo percussionista Sidon Silva: ''Brazilian batucada with rock and roll pressure''. Boa resposta já que o grupo promove uma verdadeira liquidificação de ritmos (funk, samba, xote, maracatu, rock e por aí vai), tudo bem misturadinho rende um batuquê daqueles. A isso, junte-se letras com temáticas sociais. Quem quiser saber qual é a do grupo tem que ir hoje ao primeiro dia do Cabaré do 36º Festival Internacional de Londrina.
É a primeira vez que Pedro Luís e a Parede vem à cidade. A expectativa é grande, ainda mais que o grupo vai abrir a atividade cênico-musical mais festejada do Filo mesmo que neste ano venha em versão compacta. O local escolhido é o hangar do Aeroclube de Londrina, cujas portas se abrem a partir das 21 horas e o show esteja marcada para começar às 23 horas. A procura por ingressos está sendo boa até ontem mais de 700 convites haviam sido vendidos.
Pedro Luís e a Parede vem com o show ''Zona & Progresso'', que dá nome ao mais recente trabalho lançado no final de 2001. No repertório, canções pinçadas também dos outros dois álbuns ''Astronauta Tupy'' (1997) e ''É Tudo 1 Real'' (1999). Entre elas, ''Batalha Naval'' (Pedro Luís), ''Rap do Real'' (Rodrigo Maranhão - Pedro Luís), ''Morbidance'' (Lula Queiroga-Felipe Falcão- Lucky Luciano), ''10 de Queixo'' (Pedro Luís) e, provavelmente, ''Tudo Vale a Pena'' (Pedro Luís e Fernanda Abreu). Uma das releituras curiosas ficará por conta de ''Nega de Obaluaê'', de Wando, quando ainda não era um colecionador de calcinhas.
Além de Pedro Luís (guitarra, viola de 10 cordas, violão e voz), o grupo é formado por Mário Moura (baixo), C.A. Ferrari (bateria e percussão), Celso Alvim e Sidon Silva (ambos na percussão). Aliás, percussão é o que não vai faltar na ''batucada brasileira com pressão de rock and roll). A lambança percussiva inclui repique, caixas, agogô, reco-reco e também ''instrumentos'' inusitados como três barris de chope, enxadas, chapa galvanizada, entre outros.
O próximo projeto musical do grupo carioca promete dar o que falar. Não é para menos já que Pedro Luís e colegas de trabalho se unem, no final deste ano, com Ney Matogrosso para a gravação de um disco a ser lançado no começo do próximo ano. Ney, diga-se, é apenas um dos medalhões da MPB que se renderam aos encantos sonoros da turma Adriana Calcanhotto, Fernanda Abreu, Ed Motta, O Rappa e Cidade Negra engrossam o coro.
Banal é colocar rótulos simplórios, como gostam ouvintes ortodoxos no estilo de Pedro Luís e a Parede. Melhor é entrar na onda dos caras que buscam na linguagem de rua a matéria-prima para seu trabalho. E o Cabaré do Filo não poderia abrir suas portas com atração melhor. O caldeirão sonoro vai ferver. Se vai!!


