Prestes a completar 30 anos de estrada, o grupo é um dos responsáveis pela renovação do frevo, ritmo musical surgido no fim do século 19
Prestes a completar 30 anos de estrada, o grupo é um dos responsáveis pela renovação do frevo, ritmo musical surgido no fim do século 19 | Foto: Beto Figueiroa/Divulgação



Misturando em seu caldeirão sonoro punk rock, surf music, reggae, frevo e samba, a banda pernambucana Eddie desembarca em Londrina neste domingo (17) como a principal atração da Festa Barbada. Na apresentação que acontece no Bar Valentino, a partir das 18 horas, o grupo levará ao palco o show que marca o lançamento do sétimo disco autoral, intitulado "Mundo Engano".

Prestes a completar 30 anos de estrada, a Eddie é formada por Fábio Trummer (guitarras & voz), Alexandre Urêa (percussão & voz), Andret Oliveira (trompetes, teclados & samplers), Rob Meira (baixo) e Kiko Meira (bateria). A banda que surgiu em Olinda (PE), em 1989, é um dos grupos responsáveis pela renovação do frevo, ritmo musical surgido no fim do século 19 que foi consagrado Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco.

"Mundo Engano", o novo disco da banda, foi produzido por Pupillo Menezes, do Nação Zumbi. O trabalho recorda, em 10 faixas, a época em que os integrantes do grupo olindense olhavam para as festas com o sotaque cosmopolita dos anos 2000, característico da cultura urbana popular. Nesse clima, de sonhar o passado para alcançar o futuro, encontram outros sons e possibilidades.

Escolhida para abrir o álbum, a faixa "A Correnteza", por exemplo, é inspirada na obra de Cartola. "O Mar Apaga" abre a roda para um samba surf, com sonoridade de beira de praia. "Dobra Esquina" é um pouco do Caribe, Nordeste e rock and roll. "Girando o Mundo" homenageia o carnaval de rua e faz um retrato de tudo aquilo que move a festa. Inspirada no livro "Abraçado ao Meu Rancor", do João Antônio, a música "Brooklin" tem um beat mais marcado, quase hip hop. A narrativa é de uma cidade dos imigrantes e populares durante suas jornadas individuais por trabalho, moradia, oportunidades e, principalmente, igualdade. Tudo isso, em São Paulo.

"Medo da Rua" evidencia o terror da violência, a aversão de classes e a política do medo exibida em rede nacional todas as tardes nas emissoras de TV e Rádio. Enquanto "Vivo Tendo Fogo" é estimulada no forró nordestino e nas letras de raggamufin. Já o poema "Para Iemanjá", de Marcelino Freire, foi convertido em música para denunciar os maus tratos que os oceanos sofrem pela ação, desequilibrada e inconsciente, dos seres humanos. O resultado é um samba torto à la Eddie, com violão de 7 cordas, transformando o trabalho em um manifesto das lutas que travamos por um meio ambiente mais saudável para nosso futuro.

Entre as participações especiais presentes no disco estão nomes que acrescentaram novas técnicas ao projeto. Entre eles, a Orquestra de Frevo Henrique Dias, o Jorge Du Peixe, Tiné (backing vocal), Ganga Barreto (backing vocal), Martin Mendonça (violões de aço), Guri Assis Brasil (violão de 12 cordas), Everson Pessoa (violão de 7 cordas), Frederica Bourgeois (flauta), Nilson Amarante (trombone), Maurício Fleury (teclados) e o próprio produtor, Pupillo, na bateria.

Serviço
Festa Barbada - Show com banda Eddie
Quando – Domingo (17), às 18 horas
Onde – Bar Valentino (R. Pref. Faria Lima, 486)
Quanto – R$ 15
Classificação indicativa - Não recomendado para menores de 18 anos

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