Quem faz o curso, não se queixa. ''Já entrei sabendo o que era o curso, meu pai era geógrafo, meu avô, topógrafo'', diz Daniel Perazzzo, 29 anos, que acaba de completar o curso e já escolheu sua área: fazer levantamentos topográficos e geodésicos (GPS). Ele lembra, porém, que só tomou conhecimento da existência do curso ao ler o manual do candidato da UFPR.
Cesar Rafael Lopes, 22 anos, que está no décimo semestre, faz uma advertência aos interessados. ''Tem que ter perfil para engenharia. Engenharia Cartográfica não é Geografia, e tem que gostar muito de cálculo e programação, ou não dá certo'', diz, lembrando que uma grande parte faz o vestibular em função da baixa concorrência, mas por falta de preparo ou de identidade com a profissão, muitos saem do curso. Dos 44 que entram por ano, no máximo 25 acabam se formando.
Esse pequeno número de formandos, segundo o coordenador, garante um baixo índice de desemprego na profissão. Isso não significa que o recém-formado não tenha dificuldades para obter emprego. Segundo o engenheiro cartógrafo Ricardo Villar Neves, 29, formado há dois anos, um dos problemas é que a função do cartógrafo, muitas vezes, é preenchida por profissionais de outras áreas, como arquitetos, geógrafos, engenheiros agrônomos. Outra dificuldade é conseguir que as empresas paguem o piso salarial de engenheiro, estabelecido em oito salários mínimos. ''Ninguém paga'', afirma.
As maiores empresas que trabalham na área de cartografia, realizando levantamento de dados, fotometria, cadastro urbano, entre outras atividades, têm sede em Curitiba. Isso garante vaga em estágio a todos alunos, mas nem sempre rende emprego. As maiores oportunidades, acredita Ricardo, ainda estão em mercados menos explorados, como nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. ''Quem se dispõe a sair dos grandes centros tem mais chances'', acredita.(M.G.)

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