CAIXAS DE DESEJOS
PUBLICAÇÃO
domingo, 05 de agosto de 2001
Jackeline Seglin<BR>De Londrina 
O mais recente trabalho da artista plástica Cláudia Rezende revela ao espectador a possibilidade de várias releituras sob a ótica implícita do desejo. É essa experiência que o público curitibano poderá conhecer hoje, na abertura da exposição Desejos, às 19 horas, no Espaço Arte e Cultura Telepar Brasil Telecom.
O processo de criação das obras começou em 1989, durante um curso de especialização em pintura na Slade School of Fine Arts, em Londres. Em seu trabalho, Cláudia Rezende pesquisou desde técnicas anteriores à tinta acrílica e óleo até a poética da arte como um todo, para criar esculturas em formas de caixa, com uma realidade interior própria. Esse é o destaque da obra, considerada fora do convencional por apresentar um universo marcado pelo questionamento.
As caixas, habitadas por vários elementos diferentes, são objetos que aguçam o desejo do espectador. Eu lacrei as caixas com vidro; com isso o espectador dá a volta na obra, mas não pode tocar o que tem dentro. A idéia é que a leitura aconteça, deixando implícita a separação do mundo escultural com o real. Isso enfatiza a idéia do brinquedo dentro da caixa.
A exposição traz 22 caixas-esculturas que, segundo a artista, apresentam uma estética bastante narrativa. Por trás de cada objeto existem histórias próprias, mescladas com histórias da vida, lidas e vistas. Pode ser apenas um momento de uma história. O primordial é a existência do conflito e a dramaticidade, diz Cláudia, que incluiu na obra a metáfora e a deformação com o objetivo de criar uma poética própria. A participação informal em atividades paralelas que envolvem dança, teatro, música e literatura construíram parte da linguagem presente no trabalho plástico da artista, que admite uma forte relação entre literatura e a arte que desenvolve.
A mineira Cláudia Rezende mudou-se para Londrina na década de 70, aos três anos. Em 1984 iniciou os estudos em artes plásticas no atelier de Letícia Faria. Entre 1986 e 1989 também cursou Educação Artística e, com a graduação, foi para Londres como bolsista do Conselho Britânico para especializar-me em pintura na Slade School of Fine Arts (University College London). Também esteve na Inglaterra em 1994, com o suporte e bolsa do Rotary Club Internacional, para realizar mestrado em Pintura na Birmingham Institute of Art and Design (University of Central England), e em 1999, participando de cursos de ilustração na Central Saint Martins e Chelsea School of Art, e de gravura, na Putney School of Art.
Atualmente, Cláudia Rezende trabalha em seu próprio atelier em Londrina e é professora nos cursos de Desenho Industrial, Artes Visuais e Arquitetura na Universidade Norte do Paraná (Unopar). Nos 17 anos de carreira, a artista participou de mais de 35 coletivas e salões de arte e realizou sete exposições individuais. Entre os prêmios recebidos estão o 100 Anos de República no Brasil bolsa de estudos de um ano na Inglaterra, oferecida pelo The British Council Brasília (1989); Prêmio Louise Anne Ryland Award, oferecida pelo Birmingham Institute of Art and Design, Inglaterra (1994), e menção honrosa no 2º Prêmio Gunther de Pintura, oferecido pelo Museu de Arte Contemporânea Ibirapuera e Gunther São Paulo (1995).
A artista tem obras nos acervos do Museu de Arte Contemporânea do Paraná (Curitiba), Museu de Arte de Jacarezinho (Jacarezinho), Coleção Banestado (Londrina), Higher Education Council, Bristol (Inglaterra), Museu de Arte de Guimarães (Portugal), Coleção da Universidade Estadual de Londrina e Coleção Universidade Federal do Paraná.
Desejos Exposição da artista plástica Cláudia Rezende. Abertura: hoje, das 19 às 22 horas, no Espaço Arte e Cultura Telepar Brasil Telecom (Av. Manoel Ribas, 115, térreo, Mercês), em Curitiba. Visitação: Até 30 de agosto, de segunda à sexta-feira, das 8 às 17 horas.


