Caixa traz raridades e antiguidades de Caetano
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segunda-feira, 06 de julho de 2009
Lauro Lisboa Garcia<br> Agência Estado 
Demorou, mas saiu a terceira das quatro caixas que celebram os 40 anos de contrato de Caetano Veloso com a gravadora Universal. Como todos os álbuns de Caetano já tiveram várias edições em CD, o atrativo diferencial de ''40 Anos Caetanos'' é a compilação de raridades que acompanha cada caixa.
Esta terceira cobre o período de 1983 a 1994, em que Caetano realizou álbuns marcantes como ''Uns'' (83), ''Velô'' (84), ''Caetano'' (1987), ''Estrangeiro'' (1989) e ''Circuladô'' (1991). Também se reuniu a Gilberto Gil para comemorar tardiamente os 25 anos de Tropicália, que acabou saindo no 26º aniversário do movimento, e os 50 anos de idade de cada um.
Nos dois álbuns revisionistas que gravou quase todos só com voz e violão - ''Caetano Veloso'' e ''Totalmente Demais'' (ambos de 1986), o repertório mescla clássicos da canção americana, brasileira, portuguesa, argentina e britânica com composições autorais e reinterpretações de contemporâneos como Cazuza e Frejat (''Todo Amor Que Houver Nesta Vida'') e Arnaldo Brandão (a faixa-título).
O Caetano de 1987 é o mais sombrio dessa fase. A morte do pai e a separação de Dedé Gadelha se refletem na tristeza de ''José'' e ''Noite de Hotel'', além da releitura de ''Fera Ferida'' (Roberto e Erasmo Carlos).
Outros climas envolvem ''Uns'' e ''Velô'', claramente influenciados pela onda roqueira dos anos 80. No primeiro tem ''Cuba'', ''Você É Linda'', ''Eclipse Oculto''. ''Velô'' traz frevo e concretismo, uma nova e sensacional versão samba-reggae de ''Nine Out of Ten'', protesto político (''Podres Poderes''), samba-rap (''Língua'', com Elza Soares), o ídolo Ritchie na viajante ''Shy Moon'', a reflexiva ''O Homem Velho'' e a obra-prima ''O Quereres'', recapitulada ao vivo em ''Totalmente Demais''.
''Estrangeiro'' retoma referências tropicalistas e lembranças da infância, como na bela ''Genipapo Absoluto''.


