Como em todo Brasil, no Paraná também existem aldeias indígenas que procuram manter as tradições de seu povo. Só na região de Londrina, há cerca de 3 mil índios distribuídos em várias aldeias. A maior delas é a reserva Apucaraninha, perto de Tamarana, que abriga índios caingangue, mas há outras localizadas nos municípios de São Jerônimo da Serra, Santa Amélia e Tomazina, a maioria de índios Guarani.
O administrador regional da Funai, José Gonçalves dos Santos, explica que há vários projetos em desenvolvimento para a preservação da cultura indígena no norte do Estado. Ele define que o trabalho é realizado nas áreas da agropecuária, social e também cultural. ''Procuramos manter principalmente o artesanato, a música e a dança'', destaca.
Ele conta que atualmente é fácil encontrar brinquedos característicos dos ''homens brancos'' nessas aldeias devido à proximidade com as cidades, mas diz que nunca foi feita uma pesquisa nessa área. Em relação à moradia, as casas das aldeias já passam por modificações e hoje são feitas de alvenaria. As tradicionais de pau a pique com cobertura de sapê estão se tornando minoria. Santos informa que perto das aldeias existem escolas para as crianças e salienta que há um monitor bilingue nas salas. Assim, elas aprendem o português e também a língua de seu povo, seja o guarani ou o caingangue.
Em Londrina, há o Centro Cultural Caingangue que fica na Avenida Dez de Dezembro (Zona Leste). Os índios que moram na reserva Apucaraninha utilizam esse espaço para comercializar os objetos de artesanato que produzem. Porém, o local foi alvo de incêndio no início de fevereiro e há indícios de que o fogo teve causa intencional, sendo provocado por três jovens que caminhavam nas redondezas. Como a cobertura era de sapê, altamente inflamável, a estrutura da casa ficou comprometida. As casas que ficam mais afastadas da rua e são utilizadas como moradia temporária quando eles estão em Londrina não foram afetadas.
A Secretaria Municipal de Ação Social estuda uma maneira de reformar a casa para que não haja prejuízos para os índios. ''É um espaço muito importante para eles'', ressalta Santos. Enquanto isso, a polícia apura as causas e os possíveis responsáveis pelo crime.(F.B.)

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