O Carnaval do ano 2000 vem com sabor diferente. A maior festa popular do País vai prestar uma tripla homenagem em comemoração ao fim do milênio, ao aniversário de 500 anos do Descobrimento do Brasil e ao cinquentenário do trio elétrico, que nasceu na Bahia. Na avenida, nos clubes ou até mesmo na casa de amigos, a regra é uma só: relaxar, cair na folia, e se deixar contaminar pela magia desse espetáculo teatral, que envolve arte e folclore.
Enquanto os carnavalescos terminam os últimos detalhes da mais famosa festa de rua do mundo e os foliões começam a contagem regressiva para ganhar as ruas, a jornalista e escritora Cláudia Matarazzo, autora dos livros ‘‘Etiqueta Sem Frescura’’ e ‘‘Net.com.classe’’, nos lembra de algumas regrinhas básicas de convivência.
Carnaval: ame-o ou deixe-o
Carnaval é uma festa única. Ou se ama ou se odeia. Se você faz parte daquela trupe que não suporta ouvir qualquer tipo de batuque, não hesite, faça as malas e prepare-se para uma fuga estratégica da cidade. Um sítio incrustado no pé de uma montanha, uma praia deserta, ou ainda, um retiro espiritual podem ser ótimas opções para quem quer fugir da badalação.
O que não pode, segundo a jornalista Cláudia, é falar mal da festa e dos foliões, ‘‘para não estragar o barato do outro que curte o Carnaval’’. Outra opção para ficar longe dos sambas-enredo e da programação repetitiva da televisão é se munir, com antecedência, de fitas de vídeo de sua preferência e desligar o telefone.
Apesar de não se animar para participar de blocos, talvez até por timidez, você não quer abrir mão da companhia agradável dos amigos durante as quatro noites. Neste caso, nada impede que você vá à festa - até para ver com seus próprios olhos aquele seu amigo tão sisudo fantasiado de ‘‘Carmem Miranda’’. Mas antes, avise-os sobre sua intenção de ficar apenas como espectador, deixe claro que você não pretende dançar, que sua diversão será a de apenas observar, pelo prazer da companhia daqueles a quem você ama. Tudo isso munido de muito humor, é claro. Esta medida tão simples vai garantir momentos agradáveis e memoráveis para todos: você e eles se divertem, cada um respeitando o espaço do outro.
Use a imaginação, crie sua fantasia
A escolha da fantasia já é uma festa particular. Reúna os amigos, troque idéias, abra aquele baú da vovó e crie você mesmo sua fantasia. Se faltar criatividade, não entre em pânico. O mercado oferece uma infinidade de fantasias para agradar todos os bolsos e gostos. Das mais eróticas às mais tradicionais, o importante é sentir-se bem.
Independente do modelo, Cláudia Matarazzo faz ressalva apenas para as de tecido sintético, que impedem a transpiração. Segundo ela, as de algodão continuam sendo as grandes vedetes para homens ou mulheres: confortáveis, leves e elegantes. É claro que você poderá optar por trajes mais sofisticados, que exigem uma produção mais elaborada, cheios de detalhes, mas não abra mão do conforto. Atenção especial aos pés. Não importa o traje, prefira os calçados mais confortáveis e leves. Sandálias de salto alto para mulheres ou ainda as modernas plataformas estão proibidas, a não ser que você tenha intenção de terminar o resto da noite descalça, nada elegante aliás.
Esvaziar copos é uma arte
Beber é uma arte, infelizmente conhecida por poucos. Para não passar a Quarta-Feira de Cinzas trancado num quarto escuro desejando a morte rápida, preste atenção nos conselhos de Cláudia. Só comece a se ‘‘aquecer’’ quando chegar à festa. Resista, resista, resista! Não misture fermentados com destilados, não beba de estômago vazio, e principalmente, não se afogue literalmente num copo de bebida caso encontre seu (a) atual com outra (o). Uma dica é intercalar água mineral com a bebida escolhida.
Se por acaso passou dos limites e caiu na farra, nem pense em ligar no dia seguinte para o amigo para saber o que aconteceu a partir do momento que você saiu do ar, ou o que é pior, se você cometeu alguma gafe. E fique longe, a anos-luz daqueles desagradáveis que tenham a insensibilidade de te ligar só para te contar com detalhes tudo o que aconteceu na noite anterior.
Se apesar dos cuidados ela, a ressaca, acordou com você no dia seguinte, saiba como enfrentá-la e resista à tentação de entrar na fila do transplante de fígado. Beba muita água, se possível desmarque todos os compromissos, e tente seguir uma alimentação à base de proteínas e glicose.
Flertes intensos, namoros rápidos
Flertes, namoros, paixões... tudo é permitido durante o Carnaval, mas atenção, vale lembrar às colombinas e arlequins desavisados que romances de Carnaval não sobrevivem a Quarta-Feira de Cinzas. Talvez apenas alguns. Portanto, curta os bons momentos, mas não leve muito à sério. Abraços e beijos são permitidos, desde que com discrição. Se perceber que não vai resistir ao encanto e sedução do outro, desapareça do salão, procure um lugar discreto, com pouca luz, como um jardim, uma varanda. Nada de ficar enroscado ao outro, não é este o momento de realizar aquela fantasia em público. E vale lembrar, sempre, não esqueça de se prevenir.
Aos ciumentos, uma dica. Se perceber que não vai conseguir se controlar na festa, simplesmente não vá. Melhor quatro noites de solidão a dois do que qualquer briga em público.
Antes só do que mal acompanhado
‘‘Assédio é inevitável. Mas nem por isso você é obrigado a aturar a cantada do outro com a desculpa de que é Carnaval, mesmo que o conquistador (a) em questão seja o dono (a) da casa onde está acontecendo a festa’’, explica Cláudia Matarazzo. É claro que você não é obrigado a suportar gracejos, insinuações, convites ou qualquer tipo de agressão sexual por parte de conhecidos ou estranhos. Na possibilidade de passar por uma situação desse tipo diga simplesmente um sonoro não. Se mesmo assim ele (a) continuar inconveniente procure ajuda de um amigo (a) e relate o fato.
A jornalista e escritora Cláudia Matarazzo é autora dos livros ‘‘Etiqueta Sem Frescura’’ e ‘‘Net.com.classe’’.