Cai número de turistas no Uruguai
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quarta-feira, 15 de maio de 2002
Agência Estado 
Montevidéu A suspensão, desde a última segunda-feira, dos vôos diários entre Buenos Aires e o balneário Punta del Este operados pela Pluna é mais um golpe no fluxo turístico para o Uruguai. O ingresso de visitantes no país caiu 45% nos três primeiros meses deste ano, de acordo com dados do Ministério do Turismo.
No primeiro trimestre, dos 533 mil turistas que passearam pelas ruas e cafés de Montevidéu ou agitaram nas praias de Punta del Este, 365 mil eram argentinos e 35 mil brasileiros. A temporada rendeu US$ 172 milhões ao Uruguai, uma cifra muito inferior aos US$ 300 milhões do mesmo período no ano passado.
O restaurante Puerto de Paros, no Mercado del Puerto, em Montevidéu, sentiu a diferença. O proprietário, Marcelo Bentos, resolveu abandonar o cardápio ao gosto dos argentinos e optar pelo espeto corrido, preferência dos brasileiros que os uruguaios aceitam bem.
A novidade foi insuficiente para deter a queda no movimento. Além disso, os brasileiros chegam pechinchando cada vez mais. Eles tentam rebaixar o preço, conta Bentos, que espera a recuperação da Argentina e um câmbio mais favorável às viagens dos brasileiros para voltar a faturar bem algum dia. O único consolo deste ano, que qualifica como o pior de todos, é ter reduzido seus custos.
Na área externa do mercado, o aposentado Carlo Menendez desistiu de abrir sua tenda de artesanato todos os dias. Prefere oferecer seus objetos de cerâmica e cuias de chimarrão apenas aos finais de semana. Os argentinos e brasileiros sumiram, queixa-se.
Uma constatação semelhante à de Menendez está nas justificativas dadas pela Pluna, sócia da Varig no Uruguai, para suspender os vôos. O hotel Conrad, o principal da região de Punta del Este, ainda mantinha a esperança de atrair argentinos e contava com a Pluna para oferecer pacotes a preços convidativos neste inverno.
O gerente Jorge Serna também estava pedindo uma frequência semanal para o Rio de Janeiro, comprometendo-se a pagar o custo de metade dos assentos, como faz com o vôo que sai de São Paulo. A empresa alegou não dispor de aeronaves para tanto. Esta situação faz com que Punta del Este retroceda mais de cinco anos nos sucessos que havia conseguido e prejudica a todos nós, constata o inconformado Serna.


