Café substitui o vinho como acompanhamento
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quinta-feira, 12 de dezembro de 2002
Dominique Ageorges<br> France Presse 
Paris - ''Que vinho deve acompanhar um rodovalho (peixe muito apreciado na França) com lima-da-pérsia? É melhor um Moca Sidamo (café) da Etiópia''. Este diálogo surrealista poderá um dia tornar-se comum nos restaurantes em que o café está restrito ao fim das refeições. Um grupo de adeptos de café decidiu lançar o livro ''Café, accords gourmands'' (Editorial Agnès Viénot) para valorizar o café à mesa.
Um dos primeiros a adotar a idéia foi o Hotel Crillon, de Paris, que já está servindo três pratos acompanhados por café, entre eles um creme de vieiras com um Colombia Supremo.
O chef do Hotel Crillon de Paris, Dominique Bouchet, explica que ''a idéia não é abandonar o vinho, mas elevar o café a um lugar de honra, tirá-lo da condição de primo pobre da gastronomia, que chega junto com a conta''. Atualmente, Bouchet está entusiasmado com suas recentes investigações culinárias sobre a associação entre manjares e café.
Os outros militantes gastronômicos são o gerente do Crillon, David Biraud, dois ''mestres do café'', Vincent Pateux e Stéphane Sterne, e, sobretudo, Roseline Desgroux, ex-urbanista apaixonada por café e que agora dedica-se exclusivamente à promoção da bebida.
Há dois anos, Desgroux propôs às empresas uma nova fórmula para a convivência gastronômica: a degustação de cafés de qualidade e o descobrimento da cultura do café. Ela começou fazendo combinações entre café e comida em sua casa e mostrou sua idéia a Dominique Bouchet, que criou as receitas.
''Quero estimular a arte de viver em geral e não apenas na gastronomia'', explica Desgroux, mostrando uma cozinha especialmente concebida para servir o café como se fosse vinho. ''Os utensílios são importantes'', acrescenta.
Roseline Desgroux não torce para o abandono do vinho à mesa, mas quer mostrar aos consumidores que ''por trás de um ótimo café, assim como de um grande vinho, há uma terra, um povo e uma história''.
''Nós praticamos o hedonismo'', afirma Stéphane Sterne, que lembra que, ''em vários países se bebe café há muito tempo com as comidas. Não inventamos nada''.


