Nenhum outro acontecimento marcou tanto o Norte do Paraná quanto a geada de 1975, que pôs fim ao ciclo da cafeicultura e transformou a vida no campo e nas cidades da região. O episódio é resgatado no espetáculo ''Café Quente em Noite Fria'', que o grupo Caos e Acaso de Teatro apresenta de hoje a sexta-feira na Sala de Espetáculos do Sesc/Centro, em Londrina.
A peça estreou em maio desse ano e, neste mês, foi premiada no Festival Nacional de Teatro de Campo Mourão, além de ser contemplada com uma bolsa da Funarte (Fundação Nacional da Arte). A montagem narra fragmentos das trajetórias de Zé Alcino e Betina. Ele, pequeno proprietário de terras, que vê sua pequena plantação queimada pela geada, obrigado mais uma vez a partir para terras mais distantes em busca de subsistência. Ela, jovem camponesa, deixa o sítio de seus pais para procurar ocupação na cidade.
''Nosso interesse é fazer uma leitura épica daquele momento histórico, principalmente do ponto de vista dos pequenos trabalhadores do campo, pequenos proprietários e de comerciantes, que do dia para noite perderam tudo, sendo obrigados a se exilar em guetos nas periferias das cidades, dando início aos grandes conjuntos habitacionais'', explica Roberto Sales, autor da peça.
''Escolhemos o ponto de vista daqueles que até hoje sofrem as consequências sociais e econômicas da geada negra, em detrimento da visão oficial da História de que a geada foi o grande impulso que faltava para a mecanização da agricultura no Paraná e também um dos motivos do rápido crescimento de Londrina'', completa.
De acordo com ele, o espetáculo foi construído com base em métodos de criação elaborados por Bertolt Brecht e Augusto Boal. ''Ele faz parte de um programa de pesquisa estética que é desenvolvido na Vila Cultural Casa do Teatro do Oprimido, desde fevereiro de 2008 e que se dedica ao Teatro Popular'', conta. Desde a estreia, a montagem sofreu mudanças em contato com o público.
''Incorporamos sugestões dos espectadores, já que muitos vivenciaram ou conhecem pessoas que viveram aquele período. Na verdade, a peça é a história de nossos avós e nossos pais, daqueles que aqui ficaram e daqueles que partiram para desbravar novos horizontes'', salienta.
Apresentado no Festival de Teatro de Campo Mourão (Fetacam), no início deste mês, o espetáculo ganhou o Prêmio Especial do Júri pela ''pesquisa e execução Musical'' e ainda recebeu indicações nas categorias Melhor Texto (Roberto Sales), Melhor Figurino (o grupo) e Melhor Atriz (Nádia Burk). Após a minitemporada no Sesc, a montagem será apresentada durante o Festival de Teatro do Oprimido, que ocorre entre os dias 12 e 15 de novembro, e em dezembro no Museu Histórico e no Centro Cultural Lupércio Luppi durante as comemorações de aniversário de Londrina.

Serviço
Quando - hoje, amanhã e sexta-feira, 21h
Onde - Sala de Espetáculos do Sesc (R. Fernando de Noronha, 264), em Londrina
Quanto - R$ 8 (inteira) e R$ 4 (meia para comerciários e seus dependentes, estudantes e aposentados acima de 60 anos)
Mais informações - (43) 3324-9121 e 3378-7800

mockup