Café Filosófico debate conceitos
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sexta-feira, 01 de março de 2002
Rodrigo Souza Grota<br>Reportagem Local 
A velha rotina das ágoras gregas se instala definitivamente em Londrina. A praça que servia a debates dialéticos travados por Sócrates, Platão, Aristóteles, Xenofontes, Hermégones e companhia se transforma em um Café Filosófico na Books Livraria e Locadora de Livros, evento unicamente disposto a debater conceitos pertinentes ao universo do saber. A quinta edição desse encontro, organizado pela professora da UEL e da Unopar, Miriam Giro, ocorre hoje, a partir das 15 horas, na sede da livraria em Londrina (Rua Espírito Santo, 1257), com entrada franca.
Iniciado em 27 de outubro do ano passado, o Café Filosófico já debateu temas como o belo, a sensibilidade e o conhecimento. A pauta de hoje é uma extensão do último debate, realizado em 16 de fevereiro, e que se aventurava pela tentativa de descobrir o que é o conhecimento. Durante a discussão, a professora Miriam apresenta conceitos estabelecidos por alguns pensadores, e naturalmente, os participantes vão desenvolvendo as idéias apresentadas. Após 1h30 de debate, a livraria oferece um café aos integrantes do encontro, e a conversa se torna mais informal. A discussão é retomada e prossegue até as 18 horas aproximadamente.
No último encontro, Miriam inseriu alguns conceitos clássicos do que é o conhecimento. Para Platão, trata-se de uma crença verdadeira. Na visão de Aristóteles, é a possibilidade de classificar as coisas. Para Sócrates, é o simples ato de lembrar, já que em sua corrente teórica, o homem já sabe todas coisas, e o que ocorre quando julgamos estar conhecendo algo é apenas uma lembrança.
Uma das questões mais interessantes do encontro referiu-se à necessidade do conhecimento. Por que o homem busca conhecer as coisas? Sobrevivência? Prazer? Uma atividade natural, consequente de nossa inteligência? Outra questão muito discutida se relacionava ao não-conhecimento: será que alguém pode se recusar a conhecer algo? Seria possível sobreviver sem nunca tentar descobrir o que são as coisas que nos envoltam?
Essas questões podem buscar fontes interessantes nas mitologias gregas e semíticas. Na lenda hebraica, Eva é convencida por uma serpente a seduzir Adão. Ela lhe oferece uma maçã, ele aceita, e os dois se iniciam no primeiro pecado. Por que será que o conhecimento, nesse caso, é simbolizado pela serperte, ícone totalmente negativo?
Na mitologia grega, Prometeu, após roubar o fogo de Zeus, é castigado impiedosamente. Ele é acorrentado, e um animal lhe rouba o fígado todos os dias. Posteriormente, Zeus lança Pandora aos homens, a mulher que irá seduzi-los e afastá-los da busca da verdade. Curioso é analisar o significado do termo seduzir. A origem latina, sedutare, significa trazer por baixo, pelo instinto, pelas raízes. Enfim, o homem também é castigado por se aventurar em busca do conhecimento.
Serviço: Os interessados em participar desse quinto Café Filosófico devem entrar em contato com a Books Livraria e reservar seu lugar, já que há um número limite de participantes: 25. O e-mail da livraria é [email protected] e o telefone é (43) 321-1126.


