A expressão "o lusco-fusco das horas" usada por um professor do ensino fundamental para falar sobre o anoitecer após a leitura de um conto do escritor Aníbal Machado despertou no garoto de 8 anos a paixão pela literatura. Desde então o londrinense Eduardo José Silva criou o hábito de produzir crônicas para expressar seu olhar sobre os mais variados temas que envolvem seu cotidiano. Presença constante em atividades culturais desenvolvidas na cidade, o cronista passou a escrever sobre os bate-papos no projeto "Café com o quê?". Os textos agradaram tanto a coordenação do Sesc Cadeião Cultural que de espectador ele foi convidado a comandar o evento que acontece hoje, às 19h30.

O tema abordado por Silva será "Varal de crônicas - A influência da literatura na vida". "Sou um escritor de gaveta. Escrevo desde sempre mas compartilhava meus textos apenas com amigos. Passei a fazer crônicas sobre os bate-papos que assisto no Sesc Cadeião quase todas as semanas e a enviá-las para os convidados do projeto 'Café com o quê?' e também aos funcionários do local. Eles me deram feedbacks muito positivos e acabaram me convencendo a falar sobre literatura, que é meu assunto preferido", comenta o cronista.

No bate-papo que acontece hoje, no Sesc Cadeião Cultural, Silva falará sobre a importância da literatura em sua vida e a obra de escritores que lhe servem de referência. "O primeiro texto literário com o qual tive contato foi o conto "Chuí Comanda o Tráfego", de Aníbal Machado, ainda no ensino fundamental. Após fazer a leitura, o professor usou a expressão 'lusco-fusco' das horas para falar sobre a história que se passa no início do anoitecer e me despertar a atenção. Depois, comecei a mergulhar na literatura lendo a coleção 'Primeiros Passos'. Em seguida migrei para a série 'Para Gostar de Ler', foi quando comecei a me relacionar com a obra de grandes escritores, como Carlos Drumond de Andrade e Clarice Lispector. Na sequência vieram José de Alencar e Machado de Assis, que me abriu as portas para a literatura universal", relata.

Na avaliação dele, o tempero imprescindível para uma boa crônica é a poesia. "É isso que me encanta e que acaba encantando os leitores. Com poesia e bom-humor a gente consegue falar com leveza sobre os mais diversos assuntos que fazem parte das nossas vidas. Procurando sempre buscar um olhar poético sobre os mais diversos fatos que envolvem a vida cotidiano, independentemente do tema abordado, seja a crise política e econômica, a intolerância que ronda o mundo ou um simples fato diário, como um passeio pelo Calçadão", argumenta ao informar que durante o encontro o público terá a oportunidade de ler vários de seus textos que estão expostos em um varal literário montado no local do evento.

Apesar da grande admiração pelo universo literário, Silva acabou se profissionalizando em outra área. "Sou formado em Administração de Empresas e especializado em Recursos Humanos. Mas a literatura me acompanha em todas as áreas da minha vida. Atualmente tenho uma empresa de consultoria e devo tudo o que sou à literatura, pois foi ela que me abriu a cabeça, me livrou de qualquer tipo de preconceito e me ensinou a entender melhor o ser humano e a aceitar as pessoas exatamente como elas são, pois todos somos diferentes uns dos outros. Minha profissão exige que eu tenha poder de convencimento e o poder da palavra e se não fosse pela literatura eu não teria o repertório de argumentos que carrego comigo", salienta.

Paralelamente à rotina do mercado corporativo, Silva tem se dedicado mais ao estudos dos textos que tanto admira. "Estou cursando o primeiro ano do curso de Letras da Universidade Estadual de Londrina. Havia iniciado o mesmo estudo anos atrás, mas tive que me afastar das aulas para me dedicar à minha carreira como administrador. Estou pensando em talvez reunir algumas de minhas crônicas e publicar um livro no futuro", revela.

Serviço:
Café com o Quê?: Varal de crônicas - A influência da literatura na vida
Quando – Hoje, às 19h30
Onde – Sesc Cadeião Cultural (R. Sergipe, 52)
Quanto - Gratuito

mockup