Café com leite e pão com manteiga
Café com leite e pão com manteiga
Simone Mattos
A capa do CD Ozônio, que está sendo lançado pelo grupo Sotak, de música instrumental da melhor qualidadeDepois de 15 anos de estrada, o jazz instrumental do grupo Sotak lançou seu quarto CD e chegou em sua melhor fase. A atual formação da banda é um quarteto que se uniu há pouco mais de um ano. Somos um casal e dois irmãos, tão homogêneos como café com leite ou pão com manteiga, afirma um dos fundadores do grupo, o músico Paulo Branco.
Além dele, a pianista Marília Giller, o baterista Maurício Nassar e o baixista Marcelo Nassar compõe a trupe, considerada um dos melhores instrumentais do Sul do Brasil.
Com este sotaque curitibano, o grupo lançou Ozônio, uma coletânea de 15 composições assinadas por Paulo e Marília. O show, que aconteceu ontem e tem repeteco hoje, também está reinaugurando um dos templos do jazz em Curitiba, o Jazz & Cia, nas Mercês.
Estamos criando a verdadeira música paranaense, pois o Estado está carente, informa. A verdadeira cara desta música local, na opinião do artista, seria um jazz mais urbano do que o som feito no Rio de Janeiro, por exemplo, e influenciado por grandes nomes como Hermeto Paschoal, Egberto Gismonti, Grupo Pau-Brasil, Tom Jobim, Pixinguinha e outros.
Um pouco de tudo isto está no novo CD. São estas composições que não deixam com que o grupo perca a sua identidade, conta Paulo. Apesar da constante troca de músicos -mais de 30 já fizeram parte do grupo-, o Sotak continua sendo considerado um referencial da música instrumental nacional.
A alta qualidade da banda fez com que ela fosse a única classificada do Sul do Brasil para a prévia do Free Jazz. No início dos anos 90, o Sotak teve participações de destaque em quatro edições da mostra paralela do Festival de Montreaux.
A base do grupo é sempre feita por Paulo e Marília. Outros músicos se agregam a nós por um tempo e depois seguem seu caminho próprio. Entre eles estão vários instrumentistas da nova geração, como Rodrigo Soares e Glauco Solter.
A entrada de um novo músico sempre dá um colorido diferente ao grupo e a saída dele não impede que voltemos a tocar juntos mais tarde, explicou Branco. Ele confirmou que pretende manter por muito tempo a atual formação da banda.
Já fomos duetos, sextetos e por acaso hoje somos um quarteto, explicou. Ele considera perfeita a atual formação e conta que a escolha dos músicos acontece de forma intuitiva, Sinto a musicalidade das pessoas
Paulo critica a postura de grande parte do público e dos músicos locais, que muitas vezes não valorizam a arte regional. O que acontece no Paraná é que muita gente acha que santo de casa não faz milagre, comentou Paulo. Em Montreaux, o respeito pelo som do Brasil é tanto que os brasileiros são os únicos a terem duas noites de apresentação no festival.
Na bagagem, além dos shows internacionais, Paulo Branco e Marília Giller trazem apresentações ao lado de Emílio Santiago, Jorge Ben Jor, Pascoal Meirelles e outros.
Além do show no Jazz & Cia, o grupo Sotak programa outros por casas noturnas de Curitiba. O próximo será no fim do mês no Café Curaçao.





