Marcele Aires: palestra mostra diálogos entre as obras de escritores brasileiros e africanos
Marcele Aires: palestra mostra diálogos entre as obras de escritores brasileiros e africanos | Foto: Divulgação



As evidentes proximidades culturais entre o Brasil e a cultura africana serão abordadas pela professora, escritora e pesquisadora Marcele Aires na palestra "Catimbó: a África na Literatura Brasileira". O evento gratuito que acontece nesta terça-feira (24), às 19h30, marca o retorno do projeto "Café com quê?" à programação semanal do Sesc Cadeião Cultural. Durante o bate-papo, a convidada discorrerá sobre como a atividade econômica exploratória do trabalho escravo uniu africanos e brasileiros em uma única nação: afro.

Entre os tópicos da palestra, Marcele pretende mostrar ao público diálogos entre obras dos escritores africanos Mia Couto e José Eduardo Agualusa com os brasileiros Jorge amado, Graciliano Ramos e Guimarães Rosa, entre outros. "Também quero destacar outros autores, como o Ascenso Ferreira que é o primeiro poeta modernista do nordeste, apesar de muitos atribuírem esse título ao Jorge de Lima. E também da Carolina Maria de Jesus, catadora de lixo e moradora da favela do Canindé, em São Paulo, que na década de 50, usava os cadernos que encontrava no lixo para escrever sobre seu cotidiano de luta, seus pensamentos e suas memórias. Ela escreveu 'Quarto de Despejo' uma obra icônica que fala muito da questão social e das dificuldades enfrentadas pelos descendentes da etnia africana", salienta.

Marcele Aires é doutora em literatura brasileira, mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada e compõe o quadro de professores da UEM (Universidade Estadual de Maringá). Como escritora, recebeu em 2011 o Prêmio Guavira de melhor romance, com a obra "Ausência em Monólogos", e ainda lançou "Noel Rosa em Poesia", "Que transpões o halo", "Oficina de escritores: um manual para a arte da ficção", entre outros títulos. Neste debate, sua intenção não é marcar apenas os textos e autores, em ordem cronológica, que trabalham com a literatura africana, mas sobretudo resgatar a representação africana na literatura brasileira.

Na avaliação dela, o ritmo é um dos principais legados que a influência africana exerce sob a cultura brasileira. "Esse ritmo está presente tanto na linguagem dos textos escritos de diversos autores quanto na oralidade das palavras cantadas no samba, no reisado e no congado, estilos africanos já incorporados pela música brasileira", afirma.

Evento destinado a debates e palestras sobre arte, cultura, filosofia e temáticas afins, o projeto "Café Com Quê?" retorna à programação do Sesc Cadeião Cultural na noites de terça-feira. O circuito recebe, via edital, propostas da comunidade geral que, depois de selecionadas, são apresentadas ao público semanalmente. A programação prossegue até o dia 19 de dezembro. No dia 31 de outubro, o projeto recebe o jornalista e pesquisador Tony Hara, que traz o debate "Da Arte de Viver na Filosofia de Nietzsche e Foucault". Na ocasião, Tony Hara discute a filosofia como coisa cotidiana, próxima da "arte de viver", e ainda lança seu livro mais recente "Saberes Noturnos".

Serviço:
Café com o quê?
Palestra "Catimbó: a África na Literatura Brasileira", com Marcele Aires
Quando – Terça-feira (24), às 19h30
Onde – Sesc Cadeião Cultural (R. Sergipe, 52)
Gratuito

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