Caetano Veloso prepara show inédito para franceses
Rio, 04 (AE) - O cantor e compositor Caetano Veloso vai mostrar aos franceses, de 14 a 16 deste mês, que caminhos percorreu até chegar a ser um dos músicos mais conceituados no Brasil e no exterior. Nestes dias, ele estará na Cité de la Musique, nos arredores de Paris, participando do projeto Carte Blanche (Carta Branca). É o primeiro artista latino-americano convidado a apresentar qualquer tipo de trabalho, desde que seja inédito e não esteja ligado à promoção de discos ou filmes.
Ele escolheu chamar o poeta concretista Augusto de Campos, o filho dele, Cid de Campos, e o compositor pernambucano Lenine, que se apresentarão para um público formado basicamente por franceses. "Ao contrário de outros espaços, o público da Cité de la Musique faz assinaturas anuais para os espetáculos que são realizados lá", explicou Caetano ontem, durante a coletiva que deu para falar do show. "Por isso, creio que haverá mais franceses que brasileiros na platéia".
Para tentar agradar a esse público, Caetano preferiu mostrar um pouco mais do que é habitual em seus espetáculos, sejam eles no Brasil ou no exterior. "Na verdade, as limitações impostas no projeto levaram-me aos pontos essenciais para dar uma idéia do país onde vivo e a forma como faço minha música", disse ele. "Chamei o Augusto de Campos porque queria levar alguma coisa da cultura brasileira que não fosse ligada à indústria do entretenimento". Já Lenine foi um caso de paixão pessoal. Caetano acabara de ouvir o último disco dele, "O Dia em que Faremos Contato" e apaixonara-se pelas músicas.
O show ainda será ensaiado, mas os quatro artistas já têm uma idéia do que farão. Caetano abrirá a noite e pretende mostrar a música "Livros", onde declama, em francês, um trecho de "O Vermelho e o Negro", de Stendhal. Em seguida, Augusto de Campos vai recitar alguns de seus poemas, acompanhado pelo filho no baixo elétrico e na guitarra midi. Lenine entra em seguida e toca 20 minutos de música, com o saxofonista Carlos Malta e o percussionista Marco Logo. No fim, os três voltam juntos ao palco para cantar "O Estrangeiro". (B.C.S.)





