Cadeião vai virar palco de espetáculo realista
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sábado, 11 de maio de 2002
Jackeline Seglin<br>Reportagem Local 
O espaço do antigo Cadeião de Londrina vem passando por uma espécie de reforma para ser palco da montagem Apocalipse 1,11 no Festival Internacional de Londrina (Filo). Encenado pelo grupo Teatro da Vertigem (SP), o espetáculo é uma das atrações mais esperadas do festival. Com cinco apresentações programadas (dias 18, 19, 21, 22 e 23) e capacidade para 90 espectadores cada, Apocalipse 1,11 já não tem mais ingressos disponíveis.
A montagem dirigida por Antonio Araújo encerra a trilogia iniciada por Paraíso Perdido (1992) e O Livro de Jó (1995), em mais uma etapa de um processo de experimentação que reúne idéias sagradas e espaços públicos. A adaptação de Fernando Bonassi para o texto bíblico que narra o fim do mundo mostra a fé e o crime entrelaçados numa cadeia de vertigens, dentro de cenários realistas.
Desativado em janeiro de 1994, o Cadeião tornou-se um local abandonado, servindo de abrigo de pombos e entulhos. Apenas um pequeno espaço do prédio ainda era utilizado pela Polícia Militar como centro de triagem de presos.
Uma equipe formada por mais de 10 pessoas (entre pedreiros, eletricistas, serventes, iluminadores, serralheiro e administradores) coordenadas pelo produtor Poka Marques, trabalha há mais de 10 dias no local, sob a supervisão do diretor técnico do Filo, Fernando Jacon.
Em Apocalipse 1,11, um personagem (João, o apóstolo) conduz o público através dos corredores da cadeia. Pela entrada da Rua Brasil, o espectador vai percorrer diversos espaços que não foram transformados, mas sim reaproveitados para o cenário. Paredes sujas, cheias de frases escritas à mão e recortes de revistas colados, corredores estreitos, escadas escuras, celas e grades.
O problema inicial enfrentado pela equipe foi a limpeza interna e externa do local, que passou por uma higienização. Do lado de fora, no pátio de carros, muito barro, mato e entulhos. Durante um dia e meio tiramos mais de 20 carros e sucatas que estavam neste espaço, conta Poka Marques. Os trabalhadores ainda finalizam a retirada de entulhos.
Na segunda etapa, a equipe partiu para algumas modificações no espaço, demolindo paredes, abrindo portas, tapando buracos, instalando grades e construindo um novo cômodo para abrigar uma cena do espetáculo tudo com a devida autorização do Patrimônio Histórico do município. A parte elétrica do prédio foi reinstalada para que fosse possível ligar a iluminação do espetáculo.
O trabalho pesado ainda não acabou. Até a véspera da primeira apresentação a equipe estará no local. Integrantes do Teatro da Vertigem já chegaram à cidade para montar o cenário do espetáculo dentro da cadeia, o que obviamente dará o acabamento para a estréia no dia 18.
HOJE NO FESTIVAL
- Cirandas, Cocos e Cacuriás Com o grupo Retalho de Cultura Populá, de Londrina. Às 11 horas, na feira da Avenida Saul Elkind/Cinco Conjuntos (zona Norte). Um combinado de ciranda, coco (dança popular de roda acompanhada de canto e percussão), cacuriá (dança de roda), bumba-meu-boi, capoeira Angola e outras manifestações da cultura popular brasileira.
- Lavou, Tá Novo Com a Cia. Circo Navegador, de São Paulo (SP). Às 16 horas, no Zerão. Dois varredores de rua criam, de maneira bem-humorada, dificuldades para realizar suas tarefas diárias e propõem a reflexão da automatização e mecanização das relações humanas.
- Las Mujeres en La Guerra Com a atriz Carlota Llano, da Colômbia. Às 19 horas, no Teatro Zaqueu de Melo (Avenida Rio de Janeiro, 413).
- Buñuel, Lorca y Dalí Com o grupo Teatre Del Temple, da Espanha. Às 20h30, no Cine-Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85). Espetáculo enfoca a trajetória dos três artistas espanhóis.
- Sebastião Com o Basirah Núcleo de Dança Contemporânea, de Brasília (DF). Às 21 horas, no Alternativo (esquina das avenidas Rio Branco com Leste-Oeste). Montagem baseada na produção fotográfica de Sebastião Salgado.
* Os ingressos custam R$ 10,00 estudantes, idosos e funcionários da UEL pagam R$ 5,00.


