Cadáveres atiçam a curiosidade
Dirigida pelo médico norte-americano Roy Glover, a galeria recorre a 16 corpos humanos e 225 órgãos verdadeiros para revelar em todos os aspectos o funcionamento da ''máquina humana'' e seus sistemas, em caráter exclusivamente educativo. Vinda de itinerância pela Inglaterra, Coréia do Sul e México, o conjunto de peças também conta atualmente com exibições paralelas nos Estados Unidos e Holanda.
Vale pontuar que não está em xeque a relevância de ambas exposições, cada qual com seu vasto leque de informação. Aliás, existe sinergia entre as duas, já que a mostra de Da Vinci apresenta o núcleo ''Estudos Anatômicos'', demonstrados em desenhos detalhados do corpo.
Sem pegar carona no rastro de polêmica sensacionalista por onde passou - em alguns países questionaram a origem dos cadáveres e dos órgãos expostos, enquanto os organizadores do evento afirmam que os corpos são de pessoas que tiveram morte natural e, em vida, optaram por participar de um programa de doação em benefício da ciência e educação na China - grande parte dos visitantes deixou de lado o caráter educativo da mostra para transformá-la em espetáculo.
O interesse pelo conhecimento cedeu espaço à mera curiosidade de se aproximar dos ''cadáveres de verdade'', sendo comum flagrar pessoas que cheiravam as peças para verificar se emitiam algum tipo de odor. Mas, devido a técnica de polimerização, são inodoras: os corpos são embalsamados e recebem um agente de preservação que evita a decomposição normal dos tecidos. Após este procedimento, um dissecador especialista na técnica os prepara de acordo com orientações para sua exibição, com desidratação à base de acetona e a câmara de vácuo.
Em espaço mais compacto que a mostra de Da Vinci, os visitantes tem cerca de mil metros quadrados para percorrer nove setores que representam cada sistema do organismo.





