Cada vez com mais conteúdo
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 28 de janeiro de 2003
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
A prosa do escritor Charles Bukowski teve espantosa acolhida no Brasil dos anos 80. O mesmo não se pode dizer de sua poesia, da qual pouco se falou à época permanecendo desconhecida até hoje para uma boa parte de seus leitores.
Agora, numa elogiosa escolha editorial, a revista Coyote remove das sombras os versos de titio Buk em tradução de Fernando Koproski. O autor de ''Cartas na Rua'' é o grande destaque do terceiro número da publicação, que acaba de chegar às livrarias.
Impossível ler o poema ''Splash'' e ficar quieto com a revista na mão. A vontade é de infestar caixas alheias de e-mais com seus versos poderosos. ''isto não é um poema. / poemas são um tédio, ele te fazem / dormir./ estas palavras te arrastam / para uma nova / loucura...'' convida ele, num trecho.
Coyote é editada em Londrina por Marcos Losnak (crítico literário da Folha), Ademir Assunção e Rodrigo Garcia Lopes com a colaboração fixa do paulista Joca Reiners Terron. Publica a produção literária e artística contemporânea, sem deixar de resgatar obras de autores de outras épocas.
A ênfase é para experiências estéticas que fujam dos padrões, suprindo o papel de divulgação que ''já foi'' da imprensa cultural. Com periodicidade trimestral e distribuição nacional pela editora Iluminuras, a revista diferencia-se de outros títulos do gênero por apresentar-se como um objeto estético em si valorizando seu projeto gráfico-visual.
Nesta terceira edição, Bukowski tem a companhia do norte-americano e.e.cummings, cujos poemas de grafia anti-convencional ganham tradução do curitibano Rodrigo Ponts. Além deles, a revista traz poemas do cubano Lezama Lima (1912-1976), um ensaio do mexicano Raúl Aguillera, uma entrevista com o escritor paranaense Wilson Bueno; poemas do videomaker Marcelo Montenegro; e textos em prosa de Campos de Carvalho, João Filho e Sergio Fantini.
Abrigando linguagens diversas, inclui também uma história em quadrinhos de Libero (que adaptou um relato de Dom Juan a Carlos CastaÀeda) e fotografias do nipo-londrinense Haruo Ohara (1909-1999), que ilustra a capa da edição. Ohara, convém acrescentar, é objeto de uma biografia de autoria de Marcos Losnak em parceria com o historiador Rogério Ivano. A pesquisa para o livro está em curso, com patrocínio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura.
Também financiada pela Lei de insenção fiscal, Coyote chega ao terceiro número cheia de fôlego. Uma nova edição está prevista para fevereiro. Será a última dentro do cronograma, que previa quatro títulos. A renovação do projeto para mais quatro números e tiragem ampliada para dois mil exemplares aguarda aprovação municipal.
Serviço:
Lançamento da revista Coyote nº 3. Preço: R$ 5,00 em Londrina e R$ 10,00 em outras cidades. Contatos: [email protected].


