Reprodução‘‘Vermelho’’ é a cor do verão, cantada pela Fafá


Praia nada mais é que a incrível combinação de cinco letras e vários dias de ócio. É lá que algumas pessoas ficam quarando ao sol por horas e horas a fio enquanto outras permanecem horas e horas na água até atingir o grau máximo de enrugamento a que um ser humano tem direito. Praia é aquela mesma coisa de sempre: mar, areia, sol, gente bonita, gente feia, gente fina, gente grossa, gente mais ou menos, gente branca, gente vermelha, gente bronzeada, vendedores, ambulantes, pernilongos, argentinos, preços abusivos, sabugo de milho na areia e outras coisinhas a mais. E quem disse que os veranistas querem ver coisas diferentes?
As únicas coisas que mudam realmente de uma temporada para outra são as manias. Basta um começar, o outro imitar e, pronto, todo mundo faz. E, claro, o litoral paranaense também aderiu a algumas dessas manias. Na moda, os biquínis de crochê vieram com tudo. Que o diga Silmara Elisabete de Almeida, de 22 anos, que integra a equipe do Top Folha Verão. Ela, que já fazia blusas de linha para algumas lojas de Londrina e Cambé, descobriu uma maneira de ganhar um dinheirinho a mais fazendo as tais peças de crochê.

Arquivo FolhaBiquíni de crochê: a moda, indiscreta, pode estar presa por um fio

Foi assim: uma amiga estava doidinha para ter um biquíni desses e, juntas, andaram por todas as lojas da praia. Acharam, mas os preços estavam lá em cima - mais ou menos R$ 45,00. ‘‘Aí, eu falei para ela comprar as linhas que eu fazia’’- lembra Silmara que até então nunca tinha feito sequer um sutiã de crochê. O sucesso foi tanto que a vendedora já está com várias encomendas amarradas. Pelo biquíni, que leva um dia inteiro para ser feito, Silmara cobra R$ 25,00. ‘‘Arranjei um bico legal que também me satisfaz’’- diz.
SomVamos supor que você esteja pensando em ir para Matinhos, Caiobá ou Guaratuba. Pois a primeira coisa que você vai ouvir tão logo colocar seus pés num desses locais é a Fafá de Belém cantando a música ‘‘Vermelho’’ a cada dois segundos, seguida de perto da banda baiana Gerasamba com a sua ‘‘Dança da Bundinha’’, a cada um segundo. No final do dia, tenha certeza de uma coisa: você estará cantando as música de cabo a rabo com direito a coreografia. Nos camelôs, as fitas da Fafá e do Gerasamba podem ser compradas por R$ 1,99. Quanto à durabilidade do produto, isso são outros quinhentos. Na pior das hipóteses, as fitas podem ser bastante úteis para calçar geladeiras ou mesas.

J. PedroBate-bate: o som do verão vem do brinquedo que todos levam na mão

Outro som que você vai ouvir é uma sucessão de tec-tec-tec-tec e tec. Às vezes o tec vem acompanhado de um ou dois ais. O tec, em questão, é produzido pela mais nova mania do litoral paranaense e que vem fazendo os camelôs rirem de felicidade: o bate-bate, aquele brinquedo com duas bolinhas amarradas na extremidade de um fio e que, com o chacoalhar das mãos, produzem aquele barulhinho infernal. É bem provável que você encontre um monte de gente com os pulsos roxinhos, roxinhos por causa das pancadas das bolas. Preço do brinquedinho: R$ 2,00.
Outra sensação do verão é o bongee jump, também conhecido como ioiô humano. Se você tem amor à vida, não passe perto. É seguro e coisa e tal mas não é feito para gente normal. Agora, se você quiser tentar vai morrer com R$ 25,00 para pular de uma altura de 40 metros e ficar preso aos pés e à barriga. O mais interessante, além do salto, é ver lá de cima aquele bando de gente em posição de gargarejo esperando pelo seu salto com um certo ar de sadismo.
Ainda no plano das sensações de verão, uma dica: o tererê, aquele barbantinho trançado preso ao cabelo, está out nesta temporada. Em outras palavras, a moçada decretou o seu fim. Se você cruzar com alguém usando aquele troço na cabeça faça um favor para os pais dessa criatura: arranque porque provavelmente aquilo está pregado desde que o mar ainda era doce.


Biquínis de
crochê e a
música de
Fafá tomam
conta da praia


Cruzamento instiganteO bom da praia é que quando menos se espera depara-se com cenas insólitas ou com pessoas que, inconscientemente, provocam risos certeiros. Em Caiobá, a mais badalada das praias, existe uma placa cujos letreiros indicam o cruzamento das ruas Céu Azul (um sublime nome, diga-se de passagem) com a Manoel Ribas (o interventor). Um espírito de porco resolveu dar um pouco mais de, digamos, autenticidade ao que leu. Ou seja, retirou a letra ‘‘e’’ da palavra Céu e reduziu o nome da outra rua. Consequentemente, o cruzamento mais instigante de Caiobá é o C..u Azul com a Mané Ria.
Dias desses, um caminhão com potentes caixas de som (tipo trio elétrico) resolveu brindar os veranistas de Matinhos com Músicas pra Pular Brasileira. Estava estacionado numa das ruas principais. A altura do som é tamanha que nem tédio nem olho gordo conseguem se instaurar. Ao lado do caminhão, um adolescente também curtia o som à sua maneira. Ou seja, com as mãos tapando os ouvidos, testa franzida e com os pezinhos marcando o ritmo. E cantando. Vai entender...
Enfim, praia não é apenas banho de sol e de mar. Praia é, sobretudo, gente. E como diria o bom poeta baiano, ‘‘gente é outra alegria’’. E é mesmo. Portanto, seja bem vindo a esse mundo fantástico em que todos, mas todos mesmo parecem ter uma única obrigação: a de relaxar o corpo e a alma mesmo que o bolso esteja um tanto quanto dolorido. Deixa doer. No inverno, passa.

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