"Cacilda!" terá ensaio aberto amanhã
São Paulo, 05 (AE) - Se viva, a atriz Cacilda Becker estaria comemorando 78 anos amanhã (06). Morta há 30 anos, a atriz definida como um feixe de nervos virou mito do teatro brasileiro. Para celebrar seu aniversário, o diretor Zé Celso Martinez Corrêa realiza amanhã um ensaio aberto de "Cacilda!", que chamou "o parto da nova Cacilda", uma vez que a peça inicia uma nova temporada na semana que vem com Leona Cavalli substituindo Bete Coelho no papel da atriz homenageada.
O ensaio terá início às 19h30, no Teatro Oficina, na Rua Jaceguai, 520, tel. 3106-2818. Os ingressos custam R$ 15 e estudantes e classe teatral pagam meia entrada. "Cacilda!" é o espetáculo mais premiado da temporada. Levou, entre outros, os Prêmios Shell e APCA de autor, diretor e atriz (Bete Coelho), além de estar indicado para os Prêmios Sharp e Mambembe.
"Estou tristíssimo pelo fato de a peça não estar em temporada", diz o diretor. Amanhã à noite, Zé Celso vai conversar com o público no início e no fim do espetáculo, para explicar o processo de criação. "Será um ensaio mesmo, sujeito a interrupções", diz Zé.
Ele rasga elogios para Leona, uma cria do Teatro Oficina
premiada em sua carreira teatral e também no cinema, pelo belíssimo trabalho como protagonista do filme "Um Céu de Estrelas", de Tata Amaral. "Ela tem uma vibração abrangente que contamina o elenco e torna tudo muito fácil; está sendo muito prazeroso ensaiar", diz Zé.
Em "Cacilda!", Zé Celso faz um paralelo entre a agonia da atriz, que ficou 40 dias em coma depois de sofrer ruptura de um aneurisma cerebral, em 1969, e o coma do teatro brasileiro. A peça tem início com o rapto de Perséfone/Cacilda para o Hades, o reino dos mortos. O rapto está ligado ao mito da agricultura, já que, após um acordo entre Zeus e o deus do Hades, a deusa passaria seis meses em cada um dos reinos, ou seja, renasceria a cada seis meses.
Na concepção de Zé Celso, a encenação serviria para invocar Cacilda, trazê-la do reino dos mortos e, com sua energia e paixão, fazer renascer o teatro. Dentro dessa concepção de religação do teatro, a peça é cheia de referências, algumas muito claras, como a do "Vestido de Noiva", de Nélson, na morte de Cacilda. Um espetáculo imperdível para quem tem paixão pelo teatro. (B.N.)





