Cáceres une pesca com preservação de rio
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quarta-feira, 19 de setembro de 2001
Da Redação 
O XXII Festival Internacional de Pesca (FIP) de Cáceres (210 quilômetros de Cuiabá e um dos portais do Pantanal mato-grossense), que começa neste domingo e prossegue até o dia 30, às margens do Rio Paraguai, traz como principais novidades a diminuição no número de inscrições para a principal prova do evento, a de pesca embarcada, oficinas para filhos de pescadores e para condutores de pesca sobre educação ambiental e a diversificação na programação do festival.
O FIP, que começou em 1980, é considerado o maior evento de pesca embarcada em água doce do mundo. Em 1995, o festival passou a fazer parte do Guinness Book, o livro dos recordes. Naquele ano, o FIP registrou a participação de 1.675 pessoas. Desde a primeira edição, pescadores dos Estados Unidos, Japão, Nova Zelândia, Argentina, Paraguai e Uruguai, entre outros países, têm marcado presença.
Para a secretária de Meio Ambiente e Turismo (Sematur), Yeda Marli de Oliveira Assis, 52, o Festival Internacional de Pesca de Cáceres não precisa provar mais nada. ''Queremos agora ser o melhor'', disse, explicando o motivo da limitação das incrições a 400 equipes participantes. Até a edição do ano passado, o número de inscrições era liberado.
Segundo a secretária, a preocupação é com a qualidade do festival e com a ecologia. Yeda não acredita que essa medida vá enfraquecer o festival. ''O pescador esportista vai entender que o gesto é em favor da qualidade do evento.''
A preocupação com a preservação do meio ambiente durante os festivais teve início em 1997, quando foi instituído o sistema pesque-e-solte. No ano seguinte, a Sematur incorporou ao FIP o trabalho de tagueamento dos peixes pescados pelos participantes.
Através desse sistema, os peixes são medidos e etiquetados (cada etiqueta leva um número), antes de serem devolvidos ao rio. A diminuição da fauna do rio Paraguai se deve ao assoreamento do rio, provocado pela ação predadora de pescadores. O tagueamento serve para estudos científicos e monitoramento das espécies.
Desde 1998, já foram tagueados 397 peixes. Destes, só seis foram capturados. Segundo o biólogo Claumir Muniz, membro da comissão organizadora do festival, com esse processo, pode-se estudar a migração dos peixes e a viabilidade do sistema pesque-e-solte, ou seja, se o peixe devolvido ao rio, sobrevive.
As inscrições para a principal prova, a ser realizada dia 30, podem ser feitas até o dia 29 na Praça Barão de Rio Branco, no centro de Cáceres ou pela internet: (www.caceres.mt.gov.br/22fip/inscricao). O valor da taxa para cada pescador é de R$ 25.
A prova infanto-juvenil, que acontecerá dia 29, na barranca do rio Paraguai, deverá ter a participação de 2.500 crianças, a partir dos 7 anos de idade. As inscrições para esta prova começam dia 23, domingo, e vão até às 18 horas do dia 28. A taxa custa R$ 10. Na pesca infanto-juvenil, as crianças só poderão utilizar anzóis sem farpas.
A organização do festival de pesca aguarda um público de 200 mil pessoas, que deverão deixar no município cerca de R$ 3 milhões, segundo estimativas da Sematur.
Nos nove dias do evento, haverá shows regionais e nacionais, na praça de eventos instalada em frente à baía do rio Paraguai, no bairro Cavalhada. O Campeonato de Tiro com Arco e Flecha deverá ter a participação de cerca de 80 índios de 36 etnias existentes no Estado.
A principal prova do evento, a de pesca embarcada, acontece no dia 30, a partir das 8 horas, na praia do Daveron. A potência dos motores dos barcos e lanchas a serem utilizados pelos participantes é de no máximo 130Hp. Os pescadores poderão pescar com linhada de mão, molinete e/ ou carretilha, ou com varas e linhas de medidas livres. Está liberada a utilização de iscas artificiais ou naturais. A prova terá duração de até oito horas.
As equipes masculina e a feminina vencedoras na prova ganharão um carro zero quilômetro cada uma. E a equipe que pescar o maior peixe vai levar uma lancha a motor.


