Há cinco anos, quando se mudou para o Rio de Janeiro, o ator Vladimir Brichta traçou uma estratégia: aparecer o máximo que pudesse. O ator seguiu o plano à risca. Não recusa trabalho, seja na Globo, seja em publicidade e está decidido a se tornar figurinha fácil. Por isso, desde a estréia em ‘‘Porto dos Milagres’’, em 2001, na pele do balconista Ezequiel, o ator vem emendando trabalhos na telinha e atualmente ‘‘encarna’’ o professor Narciso em ‘‘Belíssima’’. ‘‘Vinha do teatro e queria ser reconhecido pelo grande público. Além disso, os personagens foram pintando e não podia recusar’’, justifica o ator, que é mineiro de Diamantina, mas foi morar em Salvador quando tinha cinco anos.
  Vladimir está satisfeito com as escolhas que fez ao longo da carreira, mas agora está pensando em dar um tempo das novelas e se dedicar novamente ao teatro. Ele já queria ter feito isso quando acabou de fazer ‘‘Começar de Novo’’, em 2005, mas o convite para integrar o elenco de ‘‘Belíssima’’ instigou o ator – pesou na decisão o fato de ser a primeira trama de Silvio de Abreu que faria.
É sua quinta novela em cinco anos. O que o leva a emendar um trabalho no outro?
  Num primeiro momento, achava que era hora de fazer dessa forma. Isso porque, no início, precisava ficar conhecido, pois só tinha feito teatro na vida. Optei por fazer uma novela seguida da outra para ter meu trabalho reconhecido pelo grande público. Consciente ou inconsciente, era uma maneira de conquistar um espaço na tevê. Acredito que fiz a escolha certa e agora estou fechando um ciclo que iniciei há cinco anos.
E o que você destacaria de mais interessante no atual personagem, que é escrito por Silvio de Abreu?
  Apesar de não estar sendo muito desenvolvida na trama, acho a discussão sobre a vaidade dele muito interessante. O personagem coloca em questão uma realidade de toda a sociedade, que consome cada vez mais a estética. Acho um questionamento necessário, porque a gente está vivendo uma época em que a vaidade está um tanto exacerbada.
O Narciso, por sinal, torna-se modelo em função da vaidade. Além disso, ele persegue o sucesso a qualquer preço. Você acredita que as pessoas querem realmente seus 15 minutos de fama?
  Obviamente. E isso é bem legal de ser abordado numa novela, embora o Narciso mantenha alguns princípios. Mesmo não aceitando tirar as fotos nu e se negar a usar maquiagem, por exemplo, o personagem está encontrando a fama. Então ele começa a repensar todos esses princípios. O maior valor é o sucesso e ele, querendo fama, passa a aceitar essa nova realidade. Se for o caso, ele até já aceitado colocar uma melancia no pescoço. A novela tenta abordar isso, mostrando o quanto é fútil a fama.
O Narciso já teve de fugir correndo do assédio das fãs. Você já passou por situação semelhante?
  Quando a gente está fazendo novela, o assédio aumenta. Quando se está numa trama das oito, aumenta mais ainda. Já precisei sair correndo mesmo, tanto era quantidade de fãs. Se eu, por exemplo, for fazer um trabalho numa cidade do interior enquanto estou na novela e isso for divulgado na imprensa local, vai ter muito assédio mesmo, pois cria uma expectativa grande entre as pessoas. Mas se for numa época em que a gente não está em novela, isso diminui.

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