Cabo de Santa Marta. Perigo aos navegantes
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 31 de janeiro de 2002
Eduardo Petta Agência Estado 
Repleto de dunas e praias desertas, o Farol de Santa Marta é o que há de mais selvagem em Santa Catarina. Os ventos sopram de todos os lados, sempre fortes. A biruta oscila entre os pontos cardeais por várias vezes num mesmo dia. A vida é dura por lá. Seus costões rochosos são cobertos por morros e jardins forrados de árvores rasteiras e torcidas.
Foi no Farol que dona Maria Costa nasceu há 70 anos. Hoje, ela lembra com saudades da época em que não havia luz e a fartura era grande. Para conservar o peixe, tínhamos de salgar e pendurá-lo em varais. O excesso nós enterrávamos.
Os pescadores dali acordam cedo. Antes de o sol nascer rolam suas toscas canoas e singram o horizonte. Se a pesca não é mais como antigamente, quando seu Saul Costa, de 72 anos, esposo de Maria, vivia dela, ainda dá o alimento sagrado de cada dia.
Os turistas que chegam ao Farol de Santa Marta não costumam ficar em hotéis ou pousadas. Existem poucos por lá e nenhum deles tem charme ou requinte que justifique a estada. O negócio é alugar a casa dos pescadores. Como fazer? Perguntando, pesquisando e olhando até encontrar o lugar ideal ao seu gosto e bolso. Por isso sempre vale programar a chegada ao Farol com a luz do dia. Na hora de comer, basta procurar os bolinhos de arraia do Restaurante do Valdir.
Estilo açoriano De dia, o turista pode aproveitar para visitar as sete praias que dividem o Farol de Laguna: Gravatá, Galhetas, Tereza, Ipoã, Vila do Farol, Cardoso (a melhor para o surfe), até chegar à da Ciganas, a etapa final. Seu costão é o último ponto de referência nas areias. Depois, o horizonte perde-se de vista numa única praia até o Rio Grande do Sul onde, em dias de inverno, não se cruza com ninguém.
Outro passeio imperdível é a histórica cidade de Laguna, distante 18 quilômetros de estrada de chão do Farol e mais uma travessia de balsa. O centro velho, com seu casario colonial de estilo açoriano, merece uma visita à noite, quando as ruas de pedra ganham vida.


