Cabelos descoloridos ou com muitas cores
Meninos com cabelos coloridos e descoloridos podem causar indignação em alguns, mas já passam despercebidos pela maioria. Independente da classe social ou idade, crianças a partir dos cinco ou seis anos de idade alteram o tom de seus cabelos, com o alvará dos pais.
Hoje, até as pessoas caretas acham normal, explica o cabeleireiro Rudi Schneider. A mudança de comportamento dos adolescentes, em sua opinião, foi motivada por pessoas públicas, como o cantor Rick Martin, que usa mechas nos cabelos, cantores de pagode e jogadores de futebol, que têm feito aparições com cabelos coloridos. O que antes era visto como coisa de viado, hoje é comum, resume.
Seu salão, antes frequentado apenas por adultos, na maioria mulheres, hoje recebe jovens clientes. Recentemente, deixei o cabelo de um adolescente totalmente mechado, conta. O novo público, entretanto, só pode pagar quando tem permissão e incentivo dos pais. Por isso, muitos dos que usam cabelos coloridos, pintam sozinhos ou com a ajuda de amigos, em casa, explica.
Mesmo assim, é siginificativo o número dos que conseguem autorização e ajuda de custos dos pais para irem aos bons salões da cidade. Desde novembro, tenho pintado uma média de 20 cabelos por mês, de meninos com idades entre nove e 15 anos, conta Vítor Gonçalves, proprietário do Vítor I Cabeleireiros. As cores preferidas são o azul, roxo, amarelo, verde e violeta.
Levados pelas mães, que normalmente são antigas clientes do local, os adolescentes chegam ao salão sabendo exatamente o que querem. Essa nova geração tem maior confiança em suas decisões, acredita Vítor. Seus pais os preparam para serem mais independentes e líderes, diz. Apesar disso, ele acredita que muitas pessoas ainda achem estranha a moda dos cabelos coloridos. É preciso ter personalidade e incentivo.
Um de seus novos clientes é o estudante Bernardo Mocelin de Almeida, 11 anos. Nos últimos três meses, ele já pintou os cabelos de roxo, vermelho e azul. Eu queria ser diferente de alguma forma, justifica o garoto. No colégio todos acham estranho, mas eu não me importo com isso.
Sua mãe, a empresária Cristiane Mocelin, conta que toda a família apoiou a decisão de Bernardo, menos a bisavó, de 95 anos. Ela achou estranho e engraçado, conta. Cristiane diz que ficou surpresa quando o filho comunicou que queria colorir os cabelos, já que ele sempre havia sido bem conservador, mas que respeitou sua decisão. É algo inofensivo, o importante é que ele se sinta bem.





