Cabaré do FILO será portal do Terceiro Milênio
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de maio de 1999
Jackeline Seglin 
Ponto de encontro de participantes e público do Festival Internacional de Londrina (FILO), o Cabaré deste ano será realizado em um novo espaço: um barracão de 5,6 mil metros quadrados no prédio da antiga Londrimalhas. O local está sendo adaptado para receber um público de até 3.500 pessoas por noite, a partir de quarta-feira, segundo dia do festival.
A idéia do Cabaré é funcionar como um espaço multidisciplinar que possibilite o encontro de artistas e, ao mesmo tempo, um workshop prático para estudantes que ajudam na sua criação. Este ano, o diretor técnico do Filo, Fernando Jacon, vai trabalhar com vários parceiros, entre eles, o brasileiro Lívio Tragtenberg, responsável pela sonorização, e três artistas da Espanha, Carlos Guardis, Quique Alcântara e Toni Dasques, que já estão em Londrina.
O trio espanhol integra um grupo de teatro de rua de La Garriga, nos arredores de Barcelona. Nossa especialidade é trabalhar com a estética dos elementos na tentativa de mudar a fisionomia da rua e provocar reações diferentes nas pessoas. Esta é a idéia que vamos tentar desenvolver aqui, diz Quique Alcântara.
Segundo Fernando Jacon, o mote do Cabaré este ano é Porta do Terceiro Milênio - Rumo ao Festival de Todas as Artes. A equipe não está trabalhando com um projeto pré-desenhado, por isso não sabe ao certo como será o resultado. Claro que cada um tem em mente a sua idéia. Vamos trabalhar estruturas em movimento, através de um processo de desenvolvimento e confronto de idéias dos artistas, comenta Alcântara.
Para ele, o que mais interessa é a união das culturas de vários países.Esta mescla é o interesse primordial no desenvolvimento do ponto de vista estético e de movimento.
Para montar o Cabaré, os artistas vão utilizar muito material reciclado. Elementos típicos da sociedade do final do milênio, completa Jacon. A lista da produção do Cabaré inclui três mil garrafas descartáveis, uma carcaça de ônibus, cem pés de bambu, 350 metros quadrados de tecido, uma tonelada de pedra de rio e 500 caixas de papelão.
O diretor técnico afirma que a dinâmica das pessoas é fundamental no processo. Elas não estão lá somente para olhar ou realizar sua tarefa, mas para interagir e propor soluções, adianta. Por isso não é somente uma multiaglomeração de materiais, mas uma transinteração.
A instalação não estará completa na abertura do Cabaré. É que a proposta é a permanente transformação do espaço. Até o primeiro dia, vamos mostrar o resultado inicial. Depois, o desenrolar do festival provocará outras mudanças. A instalação só estará pronta quando o barracão ficar vazio de novo, complementa Jacon.
Os shows também estarão contribuindo para a modificação do Cabaré. Segundo Fernando Jacon, a instalação se transforma com a energia e o movimento. Cada show imprime seu próprio ritmo e sua energia. Portanto, a movimentação deve ser diferente em cada show.
Entre 70 e 100 pessoas estão envolvidas direta e indiretamente na instalação. Na mesma oficina de montagem do Cabaré será criada parte do cenário do festival. O grupo polonês KTO, por exemplo, vai trabalhar lado a lado com os artistas do Cabaré na montagem da sua cenografia.
O Cabaré 99 será dividido em ambientes com palco, bar, área de mesas, pista de dança, oficina cenográfica, etc. A entrada será pela Rua Taubaté, 170. A organização avisa que menores de 16 anos só entram no Cabaré se estiverem acompanhados do pai ou mãe, ou portando um documento assinado pelo juizado de menores, autorizando a entrada junto com outro responsável. Maiores de 16 anos devem levar documento.


