Semana passada falei dos chatos. Hoje volto a falar, mas de uma categoria diferente: os deslumbrados. Eles pipocam por todos os lados, em todas as festas, em todas as viagens, em qualquer lugar do mundo se reconhecem a distância e são literalmente uns chatos de galocha. Eu não suporto e estou sempre dando um chega pra lá nesse tipo de gente. Afinal, quem aguenta um papo furado durante cinco minutos?
Gente que ganha dinheiro do dia para a noite, tem rápida ascensão social ou faz sucesso de repente integra a galeria dos deslumbrados. Qualquer pessoa sabe de quem estou falando. Daquele chato que escolhe você naquela festa animada, se instala confortavelmente na poltrona ao seu lado e passa a noite contando sobre a volta ao mundo que fez recentemente, sobre a adega que possui, recheada pelos melhores vinhos, e de quanto custou a reforma da piscina que ficou um luxo. Deus nos acuda!
Como um chato desses não tem nenhuma personalidade, está sempre do lado da maioria e suas preferências estão sempre mudando conforme muda a maré, uma conversa por mais de meia hora é de enlouquecer.
Os cinco primeiros minutos você escuta, os seguintes você tolera e os últimos minutos você está a ponto de grudar no gogó do distinto. Quanta bobagem uma pessoa dessas precisa contar para se vangloriar ou para ser aceita em qualquer parte do planeta.
Essa mala-sem-alça sempre sabe de tudo. Adora ler revista importada para estar em dia com as novidades do mundo, se veste com a grife mais badalada da estação, compra todos os CDs de ópera possíveis - só para ter em casa, não para escutar - e antes de jantar na residência de um bacana ensaia todas as etiquetas exigidas à mesa. Normalmente, um deslumbrado não dá vexame, desde que fique com a matraca fechada.
Imagine que já escutei coisas do tipo ‘‘corto o cabelo só em Paris, no mesmo salão frequentado por Catherine Deneuve’’, ou até ‘‘conheço os serviços de todas as primeiras classes das companhias de aviação’’ e por aí afora...
Mas os deslumbrados normalmente não são só deslumbrados com o dinheiro. Existem aqueles - normalmente aquelas - deslumbradas com a beleza, com a perfeição daquele corpinho, com a leveza dos fios de cabelo, com a beleza até da unha encravada. Aí, haja paciência para escutá-las contando o quanto são assediadas, de como os homens as idolatram, de quantas vezes foram convidadas para ser modelos e de quantos abdominais fazem por dia.
E os deslumbrados com a ascensão social? Do dia para a noite ficam ricos e se desesperam caso não sejam convidados para as melhores festas. Cercam os fotógrafos de colunas sociais por todos os cantos e tentam virar íntimos dos colunistas do dia para noite. As mulheres costumam usar jóias logo pela manhã e fazem cooper de topete endurecido de fixador; os homens aprendem o mais rápido possível a jogar pólo e gamão.
Os deslumbrados deveriam saber que os ricos de verdade, aqueles criados em berço de ouro, não contam farofa. E nem precisam. Porque na hora de sentar numa pizzaria com um amigo sem grana, o fazem com a maior sinceridade da alma.
Quase não acreditei no que aconteceu dias desses. Fui a um jantar, no qual o casal nouveau riche fez questão de mostrar aos convidados todos os ambientes da nova mansão-moradia. Tem coisa mais brega e deslumbrada do que isto? Tem. Aquela história hilária de outro casal deslumbrado que comprou coleções de livros por metro para rechear as prateleiras da biblioteca. Acredite se quiser.

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