Hoje vou falar novamente sobre os amigos. E de como é bom tê-los por perto na hora do aperto, da desilusão, da decepção. Já escrevi sobre eles uma vez, mas a amizade é algo tão importante no meu contexto de vida, que escrevo sempre movida pela emoção e pelo coração.
Tenho poucos amigos por uma questão de opção mesmo. Conheço gente que não acaba mais, porém, nas horas de sufoco são os amigos de verdade - que não somam os dedos de uma mão - que me seguram. Em todas as vezes que precisei, eles estavam lá, firmes, prontos a me estender a mão.
Já escrevi que muitas vezes há mais afinidade com um amigo distante do que com alguém com o qual convivemos diariamente. E isso foi mais uma vez comprovado dias atrás, numa semana daquelas em que o urubu resolveu pousar no meu ombro: um amigo de longe, que não via há muito tempo, mais uma vez levantou minha auto-estima.
É por isso que sempre digo: um amigo de verdade não mede distância, não pensa duas vezes para ajudar, é solidário, sabe escutar, aconselhar, ser leal e ficar ao seu lado em qualquer circunstância da vida. Pode ser a situação mais inusitada, a mais complicada, a mais dolorida. Nestas horas, só mesmo um ombro amigo... Acho até que a gente sobrevive ao fim de um relacionamento, de um namoro, de uma paixão. Mas perder uma boa amizade é de lascar. Amigos verdadeiros são sagrados e têm que estar acima das fofocas e da inveja.
Devemos ter respeito pela maneira da outra pessoa ser, principalmente quando esta pessoa é muito amiga. Tenho um amigo genioso, outros dois que são donos da verdade e uma grande amiga que nasceu com a vocação da felicidade. Pode ser o dia que for, a hora, a situação, ela está sempre com o astral lá em cima. E tanto um como outro sempre estiveram ao meu lado nos momentos de sucesso e de fracasso. Deve-se aceitar um amigo do jeitinho que ele é. E se isto não for possível, melhor afastar-se de vez, ao invés de sair falando mal daquele que sempre esteve de prontidão para ajudá-lo.
E a gente sabe que existe amigo para cada situação. Na hora de jogar conversa fora, sem maiores compromissos, a escolhida é sempre ela, a mais animada. Mesmo porque, perto dela ninguém fica triste. Tem um jeito especial de levantar o moral de todo mundo e sua alegria é permanente. Qualquer um é capaz de se contagiar pelos bons fluidos. Tédio é uma palavra que não está em seu vocabulário.
Também tem aquele amigo que adora aconselhar e é bom toda vida nisso. Tem sempre um monte de histórias para contar, já passou por diversas experiências, boas e ruins. E quando começa a falar, parece que tudo vai clareando, o vazio da alma vai sendo preenchido, as palavras vão servindo como acalanto.
É tão importante ter um confidente, não importa cor, preferência sexual, partido político ou religião. Importa, sim, que ele seja ético, leal e saiba escutar e falar as coisas certas. E que seja franco e não revele as confidências.
Respeitar a intimidade de um amigo também está no meu manual de boa amizade. A gente deve falar e escutar quando somos solicitados. Às vezes, uma atitude precipitada pode colocar tudo a perder. E se a demora pelo pedido de socorro é grande, um telefonema do tipo ‘‘estou aqui, caso precisar’’, é suficiente para acabar com aquela angústia.
Tive sorte com as minhas amizades. Elas estão sempre prontas e tomam meu partido em qualquer situação. Mas também sei retribuir. Sou uma boa amiga, daquelas que não perguntam o porquê quando é chamada, e que sabe escutar quando o outro quer desafogar o balacobaco. Preserve uma boa amizade como um cristal valioso e raro. E não deixe que se quebre jamais.

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