Cá pra Nós (Elisiê Peixoto)
Esta semana foi de total revival. Eu e algumas amigas voltamos no tempo e demos boas risadas. E, claro, relembramos a melhor época da vida: a do namoro. Cá pra nós, tem coisa melhor do que namorar? Tem nada. Em todas as idades namorar faz bem, devolve a auto-estima, faz você caminhar nas nuvens, mesmo que a relação não seja muito séria. Muitas vezes, apenas a companhia de outra pessoa para sair, dançar e se divertir é suficiente.
Sempre digo a minha filha para namorar bastante e não ter como meta de vida o casamento. Se ele pintar, na hora e na idade certa, maravilha. Caso contrário, melhor se livrar daquela paranóia estou ficando pra titia e canalizar suas aspirações numa profissão que a torne realizada e feliz.
Tudo na vida deve acontecer no momento certo. Onde está escrito que a mulher tem que se casar aos 20, ter filhos aos 25, e aos 30 se sentir com o dever cumprido? Coisa mais fora de moda.
Hoje as mulheres estão se casando aos 30, tendo filhos mais amadurecidas e se separando com mais confiança e determinação quando a relação não dá certo.
Casamento à parte, paquerar e namorar ainda são as melhores coisas. Vai dizer que não é bom aquele primeiro contato que mexe e remexe com as estruturas, aquele joguinho de sedução que decola para os finalmentes? Mesmo que o namoro não dê certo, tudo isto deixa boas recordações.
Aos 15 anos, beleza é fundamental. A menina mais bonita do pedaço vai ser sempre a mais disputada. Aos 20, ainda é o impacto da boa estética que conta. Mas depois dos 30, até os feios e as feias têm seu charme. Às vezes o homem não é necessariamente lindo, nem rico, nem atlético, mas consegue causar frisson numa mulher. E vice-versa. E isso tem sido cada vez mais comum.
Tenho uma amiga, solteiríssima e feliz, que se sente atraída pelos tipos mais incomuns do planeta. E afirma que isso é uma epidemia que se espalha entre as mulheres do mundo ocidental: gostar dos feios charmosos. Aí você pergunta: o que foi que você viu nele? Só ela e Deus sabem. Talvez algo que não é para ser visto, mas sentido.
Já um outro amigo adora se relacionar com mulheres mais velhas. Acha excitante. Li, não me recordo onde, uma pesquisa que desfaz alguns mitos. Por exemplo: a mulher mais desejada no imaginário erótico masculino é aquela com alguns anos a mais, e com experiência para jogar fora. Pode não ser a mais bonita, mas com certeza sabe muito mais.
Onde está a verdade, afinal? No desejo de cada um. Numa relação completa e verdadeira, tanto faz se a mulher é mais velha do que o homem, se um tem dinheiro, o outro não, se ela teve mais oportunidade na vida do que ele. O que vale mesmo é aquele algo mais, que faz com que certos casais permaneçam em estado de graça sempre. E isto não é utopia.
Admiro toda pessoa que se relaciona com alguém fora dos padrões convencionais. E entre essas pessoas existe pelo menos um traço em comum: autoconfiança. Na verdade, esses casais não estão nem aí com os outros. A ordem é ser feliz. É aquela velha história: quando acreditamos em nós mesmos ou colocamos fé no nosso taco, conseguimos sucesso em todos os setores da vida. Inclusive no amor.
Que um seja magro e outro gordo, mas quando os olhares se cruzam e há uma sincronia, com certeza tudo se encaixa direitinho. E quando existe paixão, diferença de idade vira bobagem; condição social diferente é irrelevante.
E já que amar é um verbo devemos conjugá-lo sempre. E fazer esforço para manter acesa a chama da relação. Isto depende, antes de mais nada, de um exercício diário. A paixão deve ser semeada ao longo dos anos, e arrumar tempo e disposição deveriam ser regras numa relação. Como beijar e abraçar por qualquer motivo e andar de mãos dadas.
Sempre digo que a pior coisa numa relação é quando ela deixa de ser emocional e passa a ser um compromisso.
Viver a dois significa total cumplicidade, que deve ser alimentada sempre, independentemente das diferenças. Afinal, pode ser que aquela pessoa tão divergente de você seja seu final feliz. Invista nisto.
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